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Criadouros em potencial

AEDES AEGYPTI Habitacionais abandonados ou interditados na Região Metropolitana viram focos de proliferação do mosquito

Mais do que um problema de moradia, os conjuntos habitacionais abandonados e interditados viraram um caso de saúde pública no Grande Recife. Sem manutenção e expostos às chuvas, são terrenos férteis para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Apenas no Recife, são 178 imóveis que, por interdição ou paralisação das obras, estão ao relento. Os efeitos são visíveis nos moradores do entorno. No bairro do Arruda, na Zona Norte, muita gente nas ruas vizinhas ao Conjunto Habitacional Eldorado relata casos de dengue, zika ou chicungunha, as três doenças transmitidas pelo mosquito. “Ainda não tive, mas minha esposa e várias pessoas na vizinhança estão com sintomas. Só pode estar cheio de criadouros aí dentro”, diz o vigilante Diego da Silva, apontando para o gigante de 14 blocos e 224 apartamentos. Desocupado em maio de 2013 devido a problemas estruturais, o conjunto está desde então envolvido em uma pendenga judicial que, ao menos em primeira instância, terminou com uma boa notícia para cerca de 80 famílias que moravam no local. A Justiça decidiu, na noite da última quarta-feira, que cada uma terá direito a uma indenização de R$ 155 mil.

Outras obras que estão paralisadas, como a do Conjunto Vila Brasil, na Ilha Joana Bezerra, área central da cidade, também viraram criadouros em potencial.

Na Rua Aprígio Guimarães, no bairro do Sancho, Zona Oeste da cidade, a poucos metros do Hospital Otávio de Freitas, uma das maiores unidades de saúde do Estado, outro conjunto abandonado causa medo à vizinhança. De acordo com moradores, a obra está parada há quatro anos. São dez blocos, distribuídos em uma área de 3,7 mil metros quadrados. Todos abandonados e repletos de mato.

Mas talvez seja no bairro de Jardim Atlântico, em Olinda, que se encontre o mais acabado exemplo de como contribuir para a proliferação do Aedes. Na Rua Regina Lacerda, o Conjunto Parque Primavera, com três blocos construídos numa área de 6,7 mil metros quadrados, está abandonado há 15 anos. Para piorar a situação, ainda existe um ferro-velho no local. A água das últimas chuvas formam poças, seja nas carcaças dos veículos, no chão ou na entrada dos apartamentos. Não é difícil enxergar mosquitos no ambiente.

Para o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e integrante do Comitê Técnico de Arboviroses do Ministério da Saúde, Carlos Brito, o problema dos habitacionais abandonados deve ser priorizado pelo poder público. “Muitas vezes as pessoas até fazem o dever de casa e eliminam os focos, mas conviver ao lado de grandes criadouros em potencial estraga esse esforço.”

Segundo a Secretaria de Saúde da Prefeitura do Recife, canteiros de obras e locais onde exista acúmulo de entulhos são alvos preferenciais das visitas dos agentes de vigilância ambiental. De acordo com nota enviada pela secretaria, são feitas visitas quinzenais aos locais, mas não há como fazer a limpeza nos empreendimentos privados.

A Prefeitura de Olinda diz que mantém uma equipe específica para combater focos em carcaças de veículos e imóveis abandonados na cidade. Também afirma já ter solicitado à Caixa Seguradora – administradora do Parque Primavera – a limpeza do local para evitar a proliferação do mosquito.