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Alerta para chikungunya e dengue

Não é só com o zika que as grávidas devem se preocupar. Apesar do vírus ser o foco das atenções devido às graves malformações cerebrais, visuais e esqueléticas nos fetos, a dengue e a febre chikungunya também apresentam riscos. Podem causar aborto, convulsões e parto prematuro, além de deixar sequelas como artrite crônica e ocasionar o retardo do desenvolvimento neuropsicomotor dos bebês.

O temor é justificado pelos números crescentes de pessoas adoecidas com manchas na pele, febre, coceira e dores articulares. Mais ainda pela dificuldade de diferenciação entre as doenças na hora de buscar ajuda médica. No Estado, entre os dias 3 janeiro e 27 e fevereiro, foram notificados 5.054 casos de dengue, 6.076 e chikungunya e 3.746 de zika.

São 102 municípios do Estado com 2.310 casos de gestantes com manchas na pele (exantema). Esse é o número oficial de mulheres que apresentaram o sintoma e buscaram ajuda médica. Delas, 15 apresentam confirmação de microcefalia intraútero. Não se sabe ainda o percentual de zika, dengue ou chikungunya entre as grávidas notificadas.

Para não entrar nessas estatísticas a advogada Simoni de Sá Figueiredo, 31, o marido Challes Figueiredo, 37, e a filha e 8 anos mudaram a rotina. Grávida de 5 meses, Simoni descobriu a gestação quando a microcefalia ganhou as manchetes. “Nos três primeiros meses eu não queria nem sair de casa. Fiquei insegura. Só agora estou retomando minha rotina”, contou.

Repelente virou obrigatório também para o marido e a filha. O uso de preservativo entrou na rotina do casal. Simoni foi além. Promoveu mutirões contra oAedes aegypit no prédio e até na rua onde mora, na avenida Beira Rio, no bairro da Madalena. O casal afirma que o “fantasma da microcefalia” só desaparecerá quando Miguel nascer.

PRECAUÇÃO

A ginecologista, obstetra e pesquisadora Juliana Schettini avalia que o momento requer cautela, uma vez que o cenário epidemiológico no Estado aponta crescimento das três doenças. A gestante, orienta a pesquisadora, não tem que se preocupar apenas com o zika, mas com as demais arboviroses transmitidas pelo Aedes. Na dengue, destaca, pode ocorrer convulsão, risco de aborto, parto prematuro, descolamento de placenta, baixo peso do bebê ao nascer e óbito fetal, por exemplo.

Na chikungunya, quando comparado com os da dengue, há poucos estudos. Mas sabe-se que ela aumenta as chances de parto prematuro e hemorragias. E há maior incidência e cesárias. “Isso acontece porque devido à artralgia, que é a dor excessiva nas articulações, elas não aguentam passar pelo trabalho de parto”, explicou a médica. O cuidado especial, ressaltou a pesquisadora, deve ser dado durante todo o perinatal, que vai da gestação até 28 dias após o parto.