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Para reduzir gastos com seguro, saída é diminuir cobertura

Com a inflação em alta, encarecendo o orçamento doméstico dia a dia, uma das saídas mais comuns para apertar o cinto é cortar seguros , planos de previdência privada e convênios de saúde.

No entanto, a avaliação de planejadores financeiros é a de que, antes do corte, a melhor alternativa é reduzir o custo e manter os contratos.

É possível negociar as coberturas e os benefícios das apólices, obtendo economias.

O corte significa não só a perda de investimento realizado como também de benefícios que dificilmente serão recuperados em novo contrato quando a situação melhorar.

As crises são cíclicas. Uma hora tudo passa, e por uma decisão no calor dos acontecimentos você pode perder benefícios adquiridos se tentar contratar esses produtos depois , diz Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper.

O seguro serve para proteger o patrimônio e, no caso do de vida, a renda dos familiares em caso de falecimento.

Uma simulação compara seguros com coberturas completas e opções com menos proteções. A diferença, no caso de seguro de vida, pode levar a uma economia de até 87%.

Reduzir o valor recebido pela família em caso de morte do segurado garante a proteção. Mas, se o contrato foi desfeito, no futuro, o cliente -já mais velho- provavelmente encontrará apenas planos de valores superiores.

Para seguro do carro e de residência, a sugestão dos especialistas é rever coberturas na renovação de contratos.

Pode deixar só a cobertura de terceiros, de forma que você não perde o benefício do tempo que você está na seguradora. Quanto mais tempo, mais ela conhece o cliente e mais desconto dá , sugere Viriato. Passado o pior da crise, os demais serviços podem voltar ao contrato.

O seguro residencial pode ficar mais barato sem cobertura de danos a terceiros -que indeniza acidentes ocorridos na residência com não moradores-, danos elétricos provocados por raios que queimam equipamentos ou valores de indenização em roubo e furto de bens.

PREVIDÊNCIA

Na previdência privada, é possível reduzir os aportes mensais e aumentar o intervalo entre cada aplicação.

Se cancelar o plano e resgatar o dinheiro, vai ter de fazer um esforço maior lá na frente para recompor esse patrimônio , diz Luiz Alberto Machado, vice-diretor da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado).

Para Machado, o resgate pode valer a pena para quem está endividado pagando juros elevados. Contanto que a aplicação seja retomada depois que a situação financeira melhorar.

QUARTO COLETIVO

Em relação a planos de saúde, é possível migrar para categorias mais baratas, como aqueles com internação em quartos coletivos.

Vale tentar negociar, mas de forma alguma cortar. É uma despesa que, se abrir mão, vai gastar muito mais na rede privada , diz o planejador financeiro Raul Ulup.

Outra sugestão de especialistas é buscar planos de saúde de sindicatos e associações de classe, que são mais baratos por terem mais associados. Isso se o objetivo for não depender do SUS (Sistema Único de Saúde).

Cortar o plano e tentar recontratar no futuro pode significar novo prazo de carência para uso do serviço. Também existe o risco de pagar mais caro do que antes num plano com cobertura menor