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Zika traz dano fetal em qualquer fase

No mesmo dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu não estar preparada para combater rapidamente o vírus zika, -sendo necessária a aceleração da produção de uma vacina-, estudo realizado com gestantes do Rio de Janeiro aponta que o zika pode causar danos ao feto em qualquer período da gestação. A pesquisa foi publicada na revista científica “The New England Journal of Medicine”.

Até então, a hipótese era de que o risco fosse concentrado no primeiro trimestre, quando há mais chances de o vírus ultrapassar a barreira placentária e atingir o feto. Feito por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade da Califórnia, o trabalho mostrou que, na amostra estudada, de cada dez mulheres infectadas por zika, três tiveram bebês com defeitos congênitos. Entre os problemas, morte do feto, restrição de crescimento, danos na placenta e lesões no sistema nervoso central.

O estudo selecionou 88 gestantes que apresentaram sintomas de zika. Dessas, 72 tiveram a doença confirmada por exame molecular no sangue e/ou na urina. Das 70 restantes, 42 foram acompanhadas com ultrassonografia na gestação. Elas tiveram infecção pelo zika entre a sexta e a 25ª semana de gestação. Nesse grupo, 29% dos fetos apresentaram problemas como restrição de crescimento intrauterino e alterações no sistema nervoso central. Dois casos de morte fetal foram registrados após a 30ª semana de gestação.

TRANSMISSÃO

Dois dos mais importantes pesquisadores de entomologia, ciência que estuda insetos, foram convocados para uma reunião na sede da OMS, em Genebra, para discutir os possíveis vetores do zika. A pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, Constância Ayres, revelou que o Culex, conhecido como muriçoca, se infecta e pode transmitir o vírus em testes no laboratório. Agora o cientista Ricardo Lourenço, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) no Rio de Janeiro, demonstrou que o grande vilão da epidemia atual do zika, pode não ser os mosquitos do gênero Aedes. No seu levantamento comAedes aegypti e Aedes albopictus, a conclusão é de que a competência dos insetos transmitirem o vírus é baixa e que não passa de 10%.