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Segunda morte por chikungunya

Uma idosa de 88 anos foi a segunda pessoa a morrer em decorrência da febre chikungunya em Pernambuco, que já tem 9.160 notificações, um aumento de 50,7% em relação semana passada. Conforme Secretaria de Saúde do Recife (Sesau), onde já há 1.946 casos, a paciente adoeceu em 11 de janeiro e deu entrada numa unidade da rede particular, onde acabou vindo a óbito no último dia 21 de fevereiro. A confirmação do caso ocorreu por meio do teste PCR e de sorologia.

Outras análises laboratoriais já estão sendo feitas para verificar se a arbovirose também desencadeou alguma complicação neurológica, como a miosite, que resultou na morte da índia xucuru Daniele Marues de Santana, 17, em janeiro deste ano, também na Capital.

A idosa era moradora da Ilha o Retiro, que aparece em quarto no ranking dos bairros com maior coeficiente de incidência por dez mil habitantes, com índice de 188, 15. Ou seja, alto risco de adoecimento.

O que se sabe é que a idosa já se queixava, antes da internação, de dores articulares, mas não tinha o que se chama de doença de base, algum mal que dá origem a outras patologias. Por outro lado, conforme a Sesau, a paciente apresentou tontura, dores musculares e confusão mental durante a internação, o que pode ser indício de complicações da chikungunya.

Durante o tratamento, ela chegou a ser levada para a UTI, o que é recomendado nesses casos. “O quadro da índia Daniele evoluiu para uma complicação. No caso da outra paciente, ainda precisa ser analisado, embora o vírus tenha sido confirmado”, informou a secretária-executiva de Vigilância à Saúde do Recife, Cristiane Penaforte.

No bairro onde morava a vítima, é fácil encontrar quem já padeceu de alguma arbovirose. A dona de casa Patrícia Freitas, 30, havia tido zikameses atrás. Agora, sofre com a chikungunya e luta para que o filho de 4 anos não seja infectado. “Quase toda casa tem alguém com dores, mancando. Vivo com os pés inchados”, relata.

O risco de adoecer subiu na Ilha do Retiro nas últimas três semanas, quando passou a integrar a lista de dez bairros com quadro mais preocupante. Para se ter ideia, no fim de dezembro, a localidade tinha coeficiente de 25,42.

“O bairro não figurava como prioritário, mas, desde a semana 6, passou a aparecer e agora está com coeficiente de 188. Isso vai demandar esforços específicos. Quando há uma morte suspeita, agentes vão ao endereço e fazem uma ação de bloqueio para controlar os focos do mosquito. Uma ação é desencadeada no território. Por outro lado, é importante dizer que as mortes têm uma relação com a história individual do paciente e a assistência que recebe”, completa Cristiane Penaforte.

NOTIFICAÇÕES

Devido ao avanço das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, as notificações das mortes sofreram mudanças. Antes tratadas como suspeitas de dengue, passaram a ser registradas como suspeitas de arboviroses. Já são 84 em Pernambuco e 18 no Recife. No boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) na semana passada, 64 eram relativas à dengue. Uma – que se confirmou ontem -, à chikungunya. “Quando o paciente chega numa forma grave, é notificado, por vezes, para as três doenças. O mesmo com os óbitos. Então, para evitar duplicidades (uma mesma morte aparecendo na lista de dengue e zika, por exemplo), optamos por esse formato”, disse a coordenadora de Arboviroses da SES, Claudenice Pontes.