Pesquisar
Agendar Atendimento

Serviços

ver todos

Microcefalia tem novos parâmetros no Brasil

Ministério da Saúde passa a adotar novas medidas para apontar casos de malformação genética

O Ministério da Saúde anunciou a adoção de novos parâmetros para medir o perímetro cefálico dos bebês e identificar casos suspeitos de microcefalia. A mudança, divulgada ontem, reduz as medidas utilizadas pera apontar a malformação genética relacionada ao zika vírus, que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. A doença compromete o desenvolvimento das crianças.
Para meninos, será igual ou inferior a 31,9 cm e, para meninas, igual ou inferior a 31,5 cm. A redução segue recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que busca padronizar as referências para todos os países, para bebês nascidos com 37 ou mais semanas de gestação.

É a segunda mudança de parâmetros desde o início da epidemia em agosto de 2015. O Ministério da Saúde recomendou, no primeiro momento, que fosse adotada a medida de 33 cm para o perímetro cefálico. O objetivo era incluir um número maior de bebês na investigação, para melhor avaliar o quadro. Em dezembro de 2015, após as primeiras investigações, o padrão foi reduzido para 32 cm.

A aferição do perímetro deve ser feita, preferencialmente, após as primeiras 24 horas do nascimento. Segundo a pasta, o novo padrão foi adotado em consonância com as secretarias estaduais e municipais de Saúde e recebeu avaliação favorável de um comitê de sociedades científicas e médicos especialistas em pediatria, infectologia e genética. O ministro da Saúde, Marcelo Castro, ressaltou que a adequação mostra que o Brasil está em consonância com as recomendações da OMS.

Para bebês nascidos com menos de 37 semanas de gestação, cosiderados prematuros, haverá mudança na referência para definição de microcefalia. A curva de Fenton será substituída pela tabela de InterGrowth, recomendada pelo organismo internacional, que tem como referência a idade gestacional do bebê.
A tabela foi estabelecida em estudo sobre crescimento fetal e de recém-nascidos, encomendado pela OMS em 2010 a oito países, entre eles o Brasil, onde participou a Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A pesquisa foi finalizada em 2015. Vale esclarecer que o perímetro cefálico (PC) varia conforme a idade gestacional do bebê, no nascimento, e continua sendo acompanhado ao longo de toda a infância.

Devido às mudanças, o Ministério da Saúde revisou todas as definições previstas no Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo Vírus Zika.

De acordo com o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Antonio Carlos Nardi, o órgão tem realizado videoconferências e reuniões presenciais para que as informações sejam totalmente padronizadas nos estados. “Isso irá garantir, além da confirmação ou descarte de cada caso, o suporte às crianças e as famílias acometidas pela microcefalia.”

Zika
A notificação dos casos suspeitos de zika no Brasil passou a ser obrigatória em 18 de fevereiro. Todos os casos suspeitos devem ser comunicados pelos médicos, profissionais de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados, às autoridades de saúde semanalmente.
A mudança foi resultado de uma análise dos métodos de acompanhamento do vírus transmitido pelo Aedes aegypti. A doença foi identificada pela primeira vez em maio de 2015.

Evolução

Perímetro de referência para diagnosticar os casos

Agosto de 2015
Igual ou inferior a

33 cm

Dezembro de 2015
Igual ou inferior a

32 cm

Fevereiro de 2016
Igual ou inferior a

31,9 cm
para meninos e

31,5 cm

Microcefalia no Brasil

6.158
casos notificados

4.231
supeitas em investigação

745
foram confirmados

1.182
descartados

88
com resultado
positivo para zika

157
óbitos suspeitos de bebês

37
confirmados

282
municípios com casos em investigação, distribuídos em 18 unidades federativas

22
unidades da federação com transmissão autóctone do zika
para meninas