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“Pílula do câncer”, teste é reprovado

SÃO PAULO (Folhapress) – Os primeiros resultados de testes independentes feitos com a chamada “pílula do câncer”, desenvolvida por pesquisadores da USP de São Carlos, não foram animadores. Segundo as análises, ela tem baixo grau de pureza e demonstra pouco ou nenhum efeito sobre células tumorais, com desempenho muito inferior ao de drogas anticâncer já disponíveis há décadas. Os resultados foram divulgados na semana passada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que prometeu investir R$ 10 milhões em teses da “pílula do câncer” no ano passado, em resposta à pressão de grupos de pacientes que relatavam melhoras após usar a droga.

A empolgação popular com substância fez com que a câmara dos Deputados aprovasse, no começo de março, um projeto que libera a produção, a venda e o uso da pílula, mesmo sem a comprovação de sua eficácia. Ainda falta o aval do Senado para a legislação.

Desde os anos 1980, um grupo de pesquisadores liderado pelo químico Gilberto Chierice, hoje professor aposentado da USP, estuda a fosfoetanolamina (popularmente conhecida como “fosfo”) e suas possíveis propriedades anticâncer. Chierice diz que ele e seus colegas descobriram como produzir a “fosfo” com “altíssimo grau de pureza”. Alguns estudos publicados pelo grupo indicam que a fosfoetanolamina seria capaz de matar múltiplos tipos de células cancerosas.

PESQUISA

Análises iniciais feitas na Unicamp mostraram, por exemplo, que as pílulas possuem apenas cerca de 30% de fosfoetanolamina propriamente dita em sua composição – o resto são outras moléculas, algumas sem relação direta com o suposto princípio ativo da droga. Dois testes diferentes do conteúdo da pílula, avaliando sua ação sobre cinco tipos de células de câncer em laboratório, sugerem que ela talvez seja quase inócua contra tumores. Num deles, foi preciso usar concentrações de “fosfo” milhares de vezes maiores que as de drogas anticâncer convencionais para que fosse possível reduzir a proliferação das células tumorais.

Em outro, houve um efeito anticâncer, de fato – só que causado pela monoetanolamina, um dos componentes da mistura de substâncias da pílula. Nesse caso, também foi necessária uma concentração altíssima da substância para que o efeito aparecesse. Procurado pela reportagem por telefone, Gilberto Chierice disse que não pretendia comentar os resultados.