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Bactéria provocou cegueira

SÃO PAULO (ABr e Folharess) – A falta de esterilização de instrumentos usados em um mutirão de cirurgias e catarata provocou a contaminação pela bactéria pseudomonas em 22 pacientes de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, no dia 30 de janeiro passado. Um idoso morreu e ao menos 11 tiveram de retirar o globo ocular.

A conclusão está no relatório da Comissão de Sindicância da prefeitura, divulgado ontem, e aponta que a equipe do Instituto de Oftalmologia da Baixada Santista, empresa contratada em 2014 pela prefeitura para o mutirão, não esterilizou os instrumentos antes de iniciar as cirurgias em 27 pacientes. Desses, 22 foram infectados.

Segundo o laudo, a equipe não esterilizou os instrumentos entre um paciente e outro, o que disseminou a bactéria. Também foram desrespeitadas práticas de higiene como lavagem das mãos, troca de avental cirúrgico e esterilização de materiais. A equipe ainda compartilhou o material perfurocortante entre os pacientes, mostra o relatório.

Na conclusão do laudo, a origem da contaminação estava nos instrumentos antes do início do mutirão, por isso os primeiros pacientes submetidos à cirurgia foram os mais afetados pela contaminação.“Considerando que os pacientes não contaminados foram os últimos a passarem pelo processo cirúrgico, a hipótese é que a reposição dos líquidos degermantes nas cúpulas utilizados para a higienização dos instrumentais por submersão tenham diminuído a carga bacteriana presente no material não estéril”.

Um dos pacientes, o aposentado Pellegrino Foscher Riatto, 67 anos, morreu no dia 20 de fevereiro. Ele sofreu uma parada cardíaca após ter tido um acidente vascular cerebral enquanto esperava a cirurgia para a retirada do globo ocular. De acordo com o laudo, houve contaminação durante a atividade cirúrgica, causada por falta de desinfecção e esterilização dos instrumentos e equipamentos usados no mutirão.

O comerciante Danilo Riatto, 39 anos, filho do aposentado que morreu, diz que a família está indignada. “Essa é a maior prova do descaso que foi feito”. Ele afirma que ainda vai aguardar o resultado do inquérito feito pela Delegacia do Idoso antes de tomar providências, como processar o hospital. “Esse foi um laudo da prefeitura, que está tentando se isentar e jogar toda a culpa na equipe médica que fez a cirurgia, mas como eles permitiram que isso acontecesse em um hospital municipal?”, questiona o comerciante. De acordo com ele, a prefeitura apresentou o laudo sem falar em “reparação” às famílias prejudicadas.

A dona de casa Janete Oliveira representou o marido Anísio Augusto de Oliveira, de 68 anos, aposentado, que teve de remover o olho esquerdo. “A Secretaria de Saúde está dando assistência, mas já está ficando meio parado. Deu uns óculos, mas que não valem nada, não ajudam. A gente vai reclamar. Agora ele ainda tem que colocar uma prótese. Esperamos que façam alguma coisa por nós. Uma indenização não vai pagar o que sofremos”, lamentou.

A secretaria informou que vem prestando toda assistência às vítimas e que de terminou o envio do relatório divulgado ao Ministério Público e à Polícia Civil par subsídio às investigações, aos Conselhos Regionais de Medicina (CRM) e de Enfermagem (COREN), para que apurem e responsabilizem os profissionais.

OUTRO LADO

A reportagem tentou entrar em contato, com as secretarias da Saúde e Comunicação da Prefeitura de Sã Bernardo do Campo, mas não localizou ninguém. O Instituto de Oftalmologia da Baixada Santista, que foi contratado pela prefeitura para fazer os procedimentos, também foi procurado mas a reportagem não obteve retorno.