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Gestantes enfrentam caos na Barros Lima

Superlotada, a Maternidade Barros Lima, da rede municipal do Recife, está fechada para gestantes direcionadas pela central de leitos e sem prazo definido. Até mesmo as grávidas que chegarem por demanda espontânea podem acabar sendo transferidas por falta de vagas. A unidade é mais um retrato da situação de caos que envolve tantas maternidades públicas do Estado, mas ontem ganhou as redes sociais. Um vídeo divulgado na internet mostrou a via-crúcis de uma gestante de Igarassu, que chegou de madrugada. Diante da demora no atendimento, a grávida deitou-se no chão aos gritos, enquanto seus acompanhantes indicavam que ela iria parir na recepção. A mulher foi levada para o bloco cirúrgico e o bebê nasceu duas horas depois. Ambos passam bem, segundo a direção da unidade.

“A gente tem recebido uma demanda que excede nossa capacidade. Isso é uma situação que a gente já vem vivendo há muito tempo”, lamentou gerente geral da maternidade, Adriana Maciel. Segundo ela, a unidade tem 48 leitos de alojamento conjunto e sete vagas para o pré-parto, além de duas a recuperação pós-anestésica. Contudo, a demanda de pacientes tem sido tão grande que dia a dia é preciso fazer arranjos nesta distribuição. Até mesmo algumas poltronas que são destinadas a acompanhantes, às vezes, viram leito para acomodar gestantes.

“O que aconteceu é o reflexo do que vem sendo acumulado nos últimos dias. Fiquei com 19 mulheres já paridas dentro do pré-parto porque eu não tinha mais vagas no alojamento conjunto”, explicou. No momento em que o vídeo foi gravado, os profissionais tentavam desafogar a unidade, sem sucesso, mas assim que surgiu uma vaga a mulher foi atendida. À noite, a situação é ainda mais complicada. Daiane Gonçalves, 20, estava na maternidade desde as 16h. Já passava das 19h30 e ela ainda não havia sido atendida. “Estou com muitas dores. Tenho 41 semanas e estou em trabalho de parto”, reclamou. A previsão da unidade era conseguir transferir quatro mães internadas com os bebês para o Hospital Maria Lucinda.

A Secretaria de Saúde lamentou a situação na maternidade e informou que, nos últimos dez anos, a diminuição da oferta dos serviços da rede materno-infantil em outros municípios vem acarretando a superlotação na Capital.