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Remédio já está mais caro

Fabricantes de remédios e farmácias já estão repassando ao consumidor parte do aumento de até 12,5% autorizado pelo governo federal a partir de 1º de abril. Quem precisa dos medicamentos regularmente sente no bolso e na saúde o impacto do reajuste. A situação é ainda mais dramática para os cidadãos que dependem do Farmácia Popular do Brasil, programa do governo federal que subsidia uma fração do valor dos remédios.
“A diferença foi grande. A metformina (medicamento para diabetes), que faz parte da Farmácia Popular, custava R$ 7 e passou para R$ 11”, conta a aposentada Júlia Oliveira, que estava comprando ontem o medicamento num estabelecimento do Espinheiro. O remédio citado por ela teve um reajuste superior a 50%.

Não menos indignada estava a psicopedagoga Lígia Bender Schiver, que usa constantemente um medicamento para controlar o colesterol e os triglicerídios, o Sinvascor. “Ele custava R$ 4. Hoje, está por R$ 21. É um aumento terrível e eu posso pagar. Mas quem não pode, faz como? Infelizmente, a saúde tem um preço alto no Brasil”, critica.

O Farmácia Popular atua de duas formas. Em uma frente, o medicamento é totalmente bancado pela União. Na outra, o remédio é adquirido na forma de copagamento, com uma parte do preço do remédio sendo bancada pelo consumidor e o restante, pago pelo governo federal.

“Por falta de recursos, o governo federal diminuiu seu percentual no copagamento e o remédio ficou mais caro para o cidadão.

Por exemplo, a caixa de Sinvascor 40 mg com 30 comprimidos custava R$ 3 para os clientes que adquiriam no Farmácia Popular. Com a redução do subsídio, está por R$ 12. É vantagem participar do programa porque o preço normal dele é R$ 64″, explica o vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos (Sincofarma), Elias Alves Salomão.

O Ministério da Saúde informou, via sua assessoria de imprensa, que “dos 24 medicamentos oferecidos pelo Farmácia Popular apenas quatro tiveram o seu preço de referência renegociado com a indústria farmacêutica” e essa renegociação não implica “necessariamente em repasse aos consumidores”, porque eles podem ter tido desvalorização no mercado nos últimos anos.

Os demais remédios que não fazem parte do Farmácia Popular só podem ter aumento, no máximo, de 12,5%, segundo o presidente do Sincofarma, Ozeas Gomes. Ele diz que parte dos medicamentos já foi reajustada e outra, não. Em dez anos, é a primeira vez que o reajuste anual dos remédios superou a inflação, a qual ficou em 10,67% em 2015.

“Toda farmácia tem um livro de preço, o qual deve ficar em cima do balcão, com o máximo que pode ser cobrado ao consumidor.

O usuário que tiver dúvida sobre o preço pode conferir esse livro”, aconselha Ozeas. Caso o preço esteja maior do que o do impresso, o cliente pode acionar o Procon.

A alta dos medicamentos já foi constatada também no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de abril, divulgado na quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou aumento de 2,64% nos preços.

A administradora Rita Coelho já sentiu o peso do reajuste este mês no preço de alguns remédios que compra mensalmente para a sua mãe, embora não saiba dizer exatamente quanto gastou a mais. “Numa recessão como essa, provavelmente vai se consumir algo a menos para continuar comprando o remédio.”