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MS quer criar novo protocolo

O Ministério da Saúde (MS) está correndo para criar um protocolo de manejo para a chikungunya, principalmente uma revisão das manifestações atípicas e graves. Há dois dias especialistas do País estão reunidos, em Brasília, para traçar novas estratégias de forma emergencial. Uma teleconferência entre as secretarias estaduais de saúde, o MS e o governo da Colômbia também discutiram mortalidade pela doença. Em Pernambuco, segundo dados da corregedoria do Tribunal de Justiça, a emissão de certidões de óbitos saltou de 3.508 em dezembro de 2015 para 4.973 em fevereiro deste ano. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) confirma 12 mortes pela enfermidade, mas há outras 191 notificadas como suspeitas de arboviroses.

O que se desenha pelo boletim nacional divulgado na terça-feira é uma epidemia de chikungunya em ascensão. Até 2 de abril, foram notificados 39.017 casos prováveis da arbovirose, número cinco vezes maior do que as notificações de 2015, quando eram 7.412 suspeitas. O MS tem na sua base de dados apenas 15 óbitos. Um dos principais desafios de Brasília será alinhar os bancos de informações, uma vez que os dados estratégicos que o Governo Federal dispõe estão desatualizados, o que mascara a realidade de mortes que vem sendo relatada.

“A letalidade da doença era considerada como próxima de zero. Oficialmente, 15 mortes provocadas pela doença estão confirmadas no País. É um número que está bem fora da curva”, disse o diretor de Vigilância em Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch. O diretor de Controlede Doenças e Agravos da SES, George Dimech, comentou que formas atípicas e graves da arbovirose já eram elencadas na literatura, mas que é preciso investigar melhor causas e prevenções. “Se não temos alteração no padrão clínico essa quantidade (de morte) é esperada? Essa é a pergunta que estamos trabalhando. Proporcionalmente, pode ter mais casos graves porque temos mais casos em geral. Ou pode ser realmente uma diferença na gravidade dos casos. OMS está investigando isso aqui em Pernambuco já”, disse.

A literatura aponta que formas atípicas e graves de chikungunya podem provocas manifestação do sistema nervoso como meningoencefalite, encefalopatia, convulsão e Síndrome de Guillain-Barré. Além disso, também pode ocasionar problemas cardiovasculares, a exemplo de miocardite, pericardite, insuficiência cardíaca e arritmia. A lista de complicações ainda tem danos oculares, nos rins (insuficiência renal aguda), na pele, pneumonia, insuficiência respiratória, hepatite, pancreatite.

O secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, demonstrou preocupação sobre a avalanche de casos graves e que provocaram já sete mortes confirmadas na Capital. A Cidade lançou um protocolo de manejo da dor em março. “Imagino que o manual do MS vai tratar de todas as nuances. Vai falar da atenção básica, mas também vai falar dos aspectos atípicos. Porque de fato estamos todos preocupados com essa questão da mortalidade”, comentou.