Pesquisar
Agendar Atendimento

Serviços

ver todos

A crise e o Imip

NEY CAVALCANTI *

O Imip é uma das nossas mais importantes instituições de saúde. Os seus objetivos, assistência, pesquisa e formação de profissionais, são cumpridos em nível de excelência. O seu público alvo é, preferencialmente, os mais carentes. A instituição só atende, exclusivamente, aos usuários do SUS (Sistema Único de Saúde). O início das atividades do Imip ocorreu no começo da década de 60. Ele aconteceu por conta do idealismo, capacidade de trabalho e inteligência do professor Fernando Figueira e seus companheiros também dotados dessas qualidades. O professor Figueira foi uma das mais importantes figuras da nossa medicina.

Quando do seu início, a sigla Imip significava Instituto de Medicina Infantil de Pernambuco, passando a ser chamado de Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), quando a assistência médica foi estendida também para a mulher. Hoje, o nome Imip significa Instituto de Medina Integral Professor Fernando Figueira, pois os serviços são oferecidos integralmente a homens e mulheres em todas as faixas etárias. O atendimento prestado pela instituição vai da assistência primária e secundária, até os de alta complexidade, como é o caso de transplantes de órgãos. A filosofia do seu fundador, Fernando Figueira, permanece viva: “Os profissionais do Imip devem prestar menos atenção aos valores dos seus salários e mais na satisfação de estar realizando o melhor tratamento para os que mais precisam, os pobres”. O crescimento da instituição tem sido contínuo.

Tanto na assistência, na pesquisa, como também na formação de profissionais da saúde. Existiram, porém, dois fatos que promoveram um grande aumento das atividades do Imip. O primeiro foi o de se conseguir que o Hospital Pedro II, voltasse a ser utilizado como instituição de ensino. Isto ocorreu com a ação da diretoria do Imip, na época liderada pelo professor Antônio Figueira, e a compreensão dos dirigentes da Santa Casa de Misericórdia. Destino do prédio antes desse entendimento seria se transformar em um shopping center. Desde então, centenas de estudantes das universidades pernambucanas fazem o seu treinamento profissional na instalação do hospital. E o Imip não cobra nada por isto. Outro fator significativo foi a decisão do Governo de descentralizar a assistência à saúde. Foram então construídas as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e os hospitais metropolitanos.

Também decidiu o Governo que essas novas unidades deveriam ser administradas por entidades filantrópicas. O Imip assumiu oito UPAs e outras três UPAs especializadas. Três Hospitais Metropolitanos: Dom Helder, Pelópidas da Silveira e Miguel Arraes são administrados pelo Instituto, além do Hospital Dom Malan, em Petrolina, e o Centro de Hemodiálise do Sertão, em Salgueiro. Esses fatos acarretaram um grande aumento nas atividades da instituição. Um número muito maior de procedimentos passou a ser realizados. No ano de 2015, foram 696 mil o número de pacientes atendidos, e a perspectiva era de um aumento de 10%, a cada ano. Obviamente por conta dessas novas atividades, os compromissos financeiros do Imip em muito aumentaram.

E o Governo tem diminuído os recursos que deveriam ser transferidos para a instituição. Desde 2005, os valores da remuneração dos procedimentos não são modificados pelo SUS. Ignoram a existência e a permanência da inflação. Esta atitude tem um reflexo extremamente grave nas finanças da instituição. O dinheiro proveniente do SUS é praticamente a única fonte de renda do Imip. A situação das finanças é grave e tende a se agravar ainda mais. Os recursos recebidos atualmente mal dão para os compromissos da folha salarial. Por conta disso, os dirigentes do Imip têm sido obrigados, contra as suas vontades, a tomar medidas que visem à redução dos custos.

Diminuição da carga horária dos funcionários com redução da remuneração, demissões, fechamentos de serviços etc.. Um exemplo, destas normas, será o encerramento da Clínica de Fertilização, a única existente que atende os pacientes do SUS. Em resumo, a situação financeira do Imip é extremamente difícil e tendente ao agravamento. Para que isto não ocorra, é necessária a mudança do comportamento do atual Governo Federal. Isto provavelmente só ocorrerá com a mobilização dos políticos, dos profissionais de saúde e de a toda comunidade.

* É MÉDICO ENDOCRINOLOGISTA E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO