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Aeronáutica: hospital de mudança

A área ocupada pelo Hospital de Aeronáutica do Recife (HARF) pode, em breve, dar lugar a empreendimentos imobiliários, na beira-mar da cidade. A unidade de saúde, que abriu as portas em julho de 1946, está entre os planos do novo Governo Federal, como indicativo de uma operação de permuta. Na manhã de hoje, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, se reúne como alto comando da pasta para iniciar as tratativas sobre a mudança. Segundo o ministro, cerca de R$ 20 milhões seriam necessários para reformar o prédio, hoje apresentando falhas estruturais. Há o interesse em concretizar parceria com a iniciativa privada para tocar o projeto, coma construção de um novo centro médico e odontológico, ampliando a capacidade de atendimento.

“Existe a necessidade de se erguer uma unidade hospitalar em melhores condições, sendo nosso dever garantir isso. Trata-se de um prédio de 70 anos e que se mostra bastante carente de reparos. Apesar de ainda não termos batido o martelo, o cenário aponta para que a medida se concretize”, explicou Jungmann, que negou a existência de recursos ou propostas para uma requalificação sem a ajuda.

Conforme o gestor, serão necessários estudos, mas a transferência deve se dar para a avenida Armindo Moura, em Piedade, dentro do complexo do Segundo Comando Aéreo (Comar). “O Estado poderia utilizar a atual área da orla para alguma finalidade pública. Contudo, se as empresas demonstrarem maior interesse, devemos avançar”, disse, em relação ao terreno com área superior a 90 mil metros quadrados.

Prazo

Ainda não existe calendário definido, mas pelo avançar das negociações, os primeiros passos podem ocorrer já no segundo semestre deste ano. O ministro Raul Jungmann ainda terá encontros no Recife e Brasília com as chefias da Marinha e também do Exército. “Teremos uma grande reformulação à vista, exigindo muitas decisões”, adiantou. Apesar de levar o nome da Capital, o hospital fica localizado no território de Jaboatão dos Guararapes.

No início deste ano, informações obtidas pelos próprios oficiais apontavam uma mudança em toda a base do alto comando da Aeronáutica, partindo para Natal, no Rio Grande do Norte. A versão foi logo rebatida pela Força Aérea, não descartando, porém, a existência de um processo de reestruturação, com o objetivo de otimizar o uso de recursos materiais e humanos. “Ainda é cedo para se falar sobre isso”, minimizou o líder da Defesa. Após a compra de 36 aviões-caça suecos, ao custo de R$ 18 bilhões, a FAB iniciou uma restruturação, implicando no fechamento imediato de diversas bases-aéreas.

Incertezas

Viúva de um sargento da Aeronáutica, a dona de casa Elionalda Mendes, 66 anos, é uma das pacientes que utiliza o hospital. “Os médicos são atenciosos, mas sempre temos dificuldades para conseguir exames e consultas. Em algumas salas há infiltração e mofo. Está mesmo precisando de uma reforma” revelou, sem esconder o desagrado com a mudança de local.

“Acaba ficando mais longe”, admitiu. Próximos dali, diversas residências, entre casas e apartamentos, são ocupadas, há décadas, por oficiais e seus familiares. As mudanças no sistema já deixam algum deles apreensivos para novas intervenções. “Espero que não venham mexer com a gente, temos raízes por aqui”, disse o administrador Jorge Medeiros, 36, filho de um segundo-tenente da corporação.

O Clube da Aeronáutica, a poucos metros da unidade de saúde, fechou as portas em março deste ano, sob a justificativa da não renovação do contrato de Cessão de Uso a Título Oneroso. A informação, à época, foi de que a área seria incorporada ao conjunto residencial utilizado pelos militares.

A operação, no entanto, não foi concretizada. Ocupando um dos metros quadrados mais valorizados da Região Metropolitana, na orla, o terreno do HARF deve despertar interesse de construtoras, coma visão de aproveitá-lo para os segmentos residencial e comercial. Conforme Jungmann – caso a permuta seja concretizada – a mudança do hospital deve acontecer logo após a conclusão da obra.