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Câncer: HCPE faz mapa genético

Hospital de Câncer de Pernambuco (HCPE) é o primeiro do Estado a ofertar um serviço voltado para pacientes com tumores associados a fatores hereditários. Criado há um mês, o Departamento de Aconselhamento Genético em Oncologia atende pelo SUS pessoas encaminhadas por oncologistas, mastologistas ou cirurgiões após suspeita que a doença tem predisposição por alteração genética familiar.

A meta do departamento é estudar caso a caso e encontrar respostas que podem estar nos genes. As descobertas ajudam no tratamento daqueles que já estão com o tumor e na profilaxia de gerações futuras desses pacientes. Essa é a principal arma do que a medicina chama hoje de tratamento personalizado do câncer. “A ideia é identificar o paciente que é portador de uma síndrome com predisposição ao câncer hereditário que passa entre gerações. Não é que se passe o câncer. Se passa a síndrome que é caracterizada pelo aumento de incidência de determinados tipos de câncer”, explicou o cirurgião oncológico do HCPE, Vandré Carneiro.

O primeiro passo no aconselhamento do paciente no HCPE é a realização do heredrograma, que é um formulário da história clínica pessoal e familiar do paciente. É por meio dele que os casos são mapeados, uma espécie de árvore genealógica de neoplasia. “Identificando os portadores da mutação. Podemos trilhar uma conduta definida e individualizada”.

Vandré destaca que a investigação clínica pode ser suficiente para mapear os riscos, sem ser necessária a avaliação molecular – teste feito no sangue não é ofertado pelo SUS, custa cerca de R$ 2 mil, mas já há decisões judiciais que obrigam planos de saúde a realizá-lo.

Alívio

Quem já passou pelo Departamento de Aconselhamento Genético em Oncologia sente alívio pela consistência de informações e espaço para diálogo de uma doença que provoca tanta incerteza. Assim foi coma gestora de marketing, Renata Silveira, 40 anos. “Minha história como câncer é bem anterior ao meu nascimento. Meu avô morreu aos 53 anos com câncer no fígado. Em 2011, uma tia com 46 anos teve na mama. Em 2007 meu pai teve de intestino. E em 2015, um tio de 49 anos teve no intestino e outro tio de 72 anos na próstata”, relembrou, que confessou ter passado muitos anos convivendo com o fantasma da doença. Na avaliação ela tirou dúvidas. Falou dos medos. “Se tiver câncer não será por negligência. Fui respondida em tudo, me deram a tranquilidade, e principalmente fui orientada sobre o que fazer a partir de agora”.

O serviço

O serviço do HCPE está funcionando, no momento apenas, para as pessoas que estão com suspeita de câncer hereditário. Pacientes que podem ter síndromes desencadeante de neoplasias, como a de mama e ovário hereditário, que caracteriza se pela mutação dos genes BRCA1 e BRCA, por exemplo. (ver arte).

A lista de síndromes é enorme, segundo Carneiro. Mas destacou, há fatos que abrem a desconfiança sobre o câncer com características hereditárias. Entre eles, a presença de câncer ainda na juventude, mais de um tipo da doença na mesma pessoa ou o mesmo tipo de forma bilateral e, ainda, um forte histórico familiar da doença.