Pesquisar
Agendar Atendimento

Serviços

ver todos

Teste da pílula do câncer deve ser adiado pela 3ª vez

SÃO PAULO – Previstas para ter início no primeiro trimestre deste ano, as pesquisas clínicas da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo com a fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer”, deverão ser adiadas pela terceira vez por causa de atrasos no envio de informações pelo laboratório PDT Pharma, escolhido pelos criadores da substância como o responsável pela produção do item.

Conforme previsto em contrato com a secretaria, o laboratório deveria produzir a fosfoetanolamina sintética em pó para que ela fosse apenas encapsulada pela Fundação para o Remédio Popular (Furp), unidade pública, e, então, usada nos testes em pacientes recrutados pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

O pó foi produzido e entregue à Furp, mas o laboratório não repassou à secretaria as informações necessárias para o encapsulamento, como as concentrações da substância no produto em pó e a quantidade de fosfoetanolamina que cada cápsula deve conter, entre outras especificações.

De acordo com o secretário estadual da Saúde, David Uip, o PDT Pharma já descumpriu três vezes o prazo de entrega das certificações. A terceira data combinada com a empresa venceu nesta quarta-feira, 29. “É um negócio que está me preocupando muito, estamos com uma marcação muito próxima no laboratório. A Furp está pronta para encapsular e o Icesp está preparado para começar imediatamente os testes”, disse o secretário.

A distribuição da cápsula foi iniciada há cerca de 20 anos pelo pesquisador Gilberto Chierice, pesquisador do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), no câmpus de São Carlos.

Foram feitos seis estudos para comprovar a ação contra tumores, nenhum com humanos. As análises foram feitas apenas em camundongos.

Os primeiros testes financiados pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) revelaram que a substância não é pura, como afirmavam seus criadores, e que ela não apresentou eficácia contra células cancerígenas em testes in vitro.

Sim, além das pesquisas financiadas pelo MCTI, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo anunciou testes clínicos com a cápsula. Eles serão conduzidos pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Os estudos não serão interrompidos agora.

Não. Segundo o Ministério da Saúde, os pacientes terão de arcar com os custos da substância, uma vez que, para ser incluída na lista de medicamentos do SUS, seria necessária a avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias, que toma por base evidências, levando em consideração aspectos como eficácia, acurácia, efetividade e segurança da tecnologia.

Não se sabe. Não foram feitos estudos da substância com humanos. Pacientes relatam melhora da doença com o uso da cápsula, mas os depoimentos carecem de evidências científicas.

Pelo texto da lei, basta um laudo médico com o diagnóstico de câncer e um termo de consentimento assinado para garantir o acesso à cápsula, mas o Ministério da Saúde defende que seja incluída na regulamentação a exigência da prescrição.

Não se sabe. O texto da lei se limita a determinar que só poderão produzir e distribuir a substância “agentes regularmente autorizados e licenciados pela autoridade sanitária competente”.

Impossível. Uip disse que é “impossível” começar as pesquisas sem essas informações. “Não dá para dar um passo à frente sem essas certificações. Elas são fundamentais e necessárias para a segurança dos voluntários. Você adicionar uma variável sem o devido conhecimento é impensável.”

Enquanto isso, a Furp é alvo de centenas de mandados judiciais de busca e apreensão em nome de pacientes com câncer que querem ter acesso à substância. “Já fomos obrigados a fornecer mais de dois quilos da fosfoetanolamina em pó, sem qualquer critério. Sabemos que há 800 ações em andamento”, afirmou o secretário. Segundo informações da PDT Pharma, dois quilos da substância seriam suficientes para a confecção de 4 mil cápsulas.

Questionado sobre o atraso, o diretor do laboratório, Sergio Perussi, afirmou que o PDT Pharma aguardava um laudo de teor da substância que estava sendo produzido externamente, por uma empresa especializada nesse tipo de análise.

Segundo Perussi, o laudo foi finalizado na quarta-feira, e o laboratório iria informar a Furp e o governo do Estado sobre a conclusão do documento. “Essa substância (f osfoetanolamina ) não tem padrão de análise, é inovadora. Isso tem exigido uma série de experimentos novos para o seu entendimento analítico. Assim, não é o PDT Pharma que está atrasando, mas a empresa que analisa a substância. O produto está pronto desde 2 de maio aguardando essas análises para atender às normas da Anvisa para medicamentos a serem usados para estudo clínico. Tudo isso faz parte do processo natural e regulamentar”, afirmou o diretor.