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Maciel retorna à Hemobrás

Afastado da presidência da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) desde dezembro de 2015, por determinação da Justiça Federal em decorrência da deflagração da Operação Pulso, Rômulo Maciel Filho reassumirá, imediatamente, a presidência da estatal por decisão, de dois votos a um, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), segundo o advogado de defesa, Célio Avelino. Por estar em segredo de justiça, o TRF5 não pode se pronunciar sobre a decisão. A Hemobrás, todavia, informou que ainda não foi oficialmente informada ou notificada da decisão do órgão.

Mas a informação chegou à empresa extraoficialmente e gerou insatisfação entre os funcionários, que estão organizando uma manifestação em frente ao escritório da empresa, hoje, às 8h, no Pina. Avelino explicou que a Justiça Federal afastou Maciel sob o argumento de que ele poderia atrapalhar as investigações, porém no transcorrer desses oito meses já não havia mais motivos para o manter preso. Além disso, ele estava afastado sem prejuízo da remuneração.

O advogado disse que Maciel poderá retornar imediatamente à função e que não voltou ontem por estar resolvendo problemas pessoais em São Paulo, mas não soube precisar quando ele reassumiria. No entanto, funcionários, em reserva, afirmaram que ele retornaria hoje e, diante disso, paralisarão as atividades no escritório, no Pina, na fábrica, em Goiana, e na distribuidora, na Muribeca. “Estamos indignados, pois se a Hemobrás passa por dificuldades é por causa da gestão dele”, comentou um servidor.

A empresa limitou-se a dizer que não recebeu a oficialmente a informação. Como afastamento de dois dos três diretores – Rômulo Maciel Filho e Mozart Sales -, Marcos Arraes assumiu a presidência e dois novos diretores foram empossados: Laura Barreto Carneiro (Produtos Estratégicos e Inovação) e André Gomes Corrêa (Desenvolvimento Industrial). Sales, contudo, não foi denunciado por falta de provas. Relatório da PF indica que o dinheiro que teria sido desviado por Maciel foi convertido em obras de arte, apreendidas no apartamento dele no dia da deflagração da operação. Na ocasião, um episódio chamou atenção: maços de dinheiro foram jogados de uma das janelas do edifício conhecido como Torres Gêmeas, no Cais de Santa Rita, na chegada da polícia.

– Denúncias

Deflagrada em dezembro de 2015, a Pulso investigou irregularidades em licitações e contratos de logística de plasma e hemoderivados, além de fraudes na construção da fábrica de medicamentos, em Goiana, na Mata Norte, que começou a ser erguida em 2010. O Ministério da Saúde, ao qual a estatal é ligada, afirmou que ela será concluída até 2018. As investigaçõesmostraram que os envolvidos desviavam recursos para pagar ao consórcio Bomi-Luft-Atlantis. Como o pagamento era feito por quilômetro rodado, a manobra consistia no aumento da quilometragem percorrida pelos veículos, com uso de notas fiscais e leitura de quilometragem falsas.Segundo o MPF, houve R$ 5,2 milhões de superfaturamento.

Além disso, milhões foram desperdiçados com a perda de plasma sanguíneo que seria utilizado na fabricação de medicamentos destinados ao Sistema Único de Saúde . O material foi perdido em razão do acondicionamento inadequado, feito por uma terceirizada da Hemobrás que, conforme a PF, havia sido contratada para a coleta e transporte por R$ 6,3 milhões por um ano, sem ter mecanismos para tal.

Além de Maciel, que foi indiciado, foram acusados os ex gerentes de Plasma e Hemoderivados, Marisa Peixoto Veloso Borges, e Guy Joseph Victor Bruere, além dos empresários Fernando Luft, Juliana Cunha Siqueira Leite e Delmar Siqueira Rodrigues, representantes do Consórcio Bomi-Luft-Atlantis.