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Via-crúcis para a hora do parto

Esperar a hora do filho nascer é um momento de felicidade e, muitas vezes, a realização de um sonho. Entretanto, para Jésus Felício e Michelle Lima a felicidade da chegada do segundo filho está aliada à angústia. É que faltando pouco para o nascimento de Luca, o casal ainda não conseguiu a autorização do plano de saúde para que o parto aconteça. “Minha mulher pode entrar em trabalho de parto a qualquer momento e não temos um hospital que assista”, contou, angustiado, Felício.

Michelle Lima está prestes a completar nove meses de gestação, mas ainda não conseguiu um hospital que receba a autorização do plano de saúde. Ela foi a dois hospitais credenciados pela rede, em Recife, o Memorial São José e o Hospital Real Português, com encaminhamento e guia de solicitação de internação aprovada. Porém, ambos informaram que o plano não repassa os custos do parto ao hospital e, por isso, suspenderam seu credenciamento.

O que agrava ainda mais é que, de acordo com as normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a operadora tem um prazo de dez dias para se posicionar. Só que o último dia do prazo é um dia após a data marcada do seu parto. Outra problemática é que o contrato obstétrico se dá por intercâmbio. “No relacionamento de clientela de outras regiões, às vezes, a correspondência cria alguma dificuldade. Foi o que, certamente, houve com eles”, informou a Unimed Rio por nota.

A ANS lembra que “em caso de dificuldades para o acesso à cobertura, o beneficiário deve entrar em contato com a operadora, que deverá oferecer alternativas ao atendimento”. “Caso a infração venha a se configurar em negativa de cobertura, a operadora também estará sujeita a multa de R$ 80 mil e, caso seja cobertura de urgência e emergência, o valor é de R$ 250 mil”, ratificou.

Co-fundador do Instituto Apolo em Defesa da Vida e da Saúde (IADV), Diogo Santos explica que essa situação, embora abusiva, é corriqueira. “É importante que se entre com uma ação judicial. Somente com essa força a operadora e o hospital cumprirão com o contrato”, aconselha. Ele chama a atenção, ainda, para a obrigação do hospital de cumprir o contrato mesmo que a operadora não faça o repasse, pois os seus problemas de relações não podem prejudicar os usuários.

Questionada sobre como o caso seria resolvido, a empresa disse que o atendimento foi autorizado e confirmado como hospital, mas não mencionou qual. O casal, no entanto, ainda não recebeu essa confirmação.