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No mercado brasileiro, consumo cai há pelo menos quatro anos seguidos

Não é só nos filmes de Hollywood que os cigarros estão perdendo popularidade. Apesar de continuar a ser um mercado gigantesco, com 5,5 trilhões de unidades vendidas em 2015 e receitas globais de US$ 698,5 bilhões, a pressão de governos e de entidades de saúde pública e a concorrência do mercado ilegal provocaram uma queda de consumo, inclusive no Brasil.

“O setor tabagista formal brasileiro, assim como o mundial, vive um momento de declínio constante em volume”, diz Angelica Salado, pesquisadora da Euromonitor. “Isso deve-se, em parte, a uma movimentação maior, por parte dos consumidores, em parar com o hábito de fumar, buscando uma vida mais saudável.” A recessão econômica, o aumento de preços e a proibição do fumo em ambientes coletivos fechados contribuem também para a queda de vendas.

Os brasileiros compraram 64 bilhões de cigarros no ano passado, queda de 10% na comparação com 2015. O consumo cai há pelo menos quatro anos consecutivos, com redução de 25% em volume desde 2012, segundo dados da Euromonitor. Nos cinco anos até 2020, a expectativa é de redução de 19,6% em volume.

O faturamento das fabricantes de cigarros no país diminuiu 7,6% em 2015, em relação aos 12 meses anteriores, para R$ 24,85 bilhões. Os gastos do consumidor com o produto tendem a cair 2,7% a cada ano, entre 2015 e 2020, para R$ 21,64 bilhões.

A crise política tem afetado a habilidade do governo brasileiro de combater as remessas ilícitas, principalmente do Paraguai. “Para muitos, a busca pelo cigarro ilegal tornou-se uma alternativa para manter o consumo, mesmo com a renda disponível comprometida, uma vez que os cigarros ilegais chegam a custar, em média, menos da metade do cigarro formal no país. Para os fumantes que já consumiam marcas de baixo valor agregado — justamente os mais afetados pela crise – fazer o ´downtrade´ para as marcas ilegais tende a ser um processo mais fluido”, afirma Angela.

Em 2010, a proporção de cigarros ilegais era de 25% do mercado total em volume. Em 2015, chegou aos 35% e, em 2021, pode atingir os 41%, a menos que medidas mais radicais de proteção às fronteiras e repressão ao contrabando sejam tomadas. Caso este cenário seja mantido, o Brasil chegará, em 2021, à segunda posição no ranking mundial de volume de cigarros ilegais, atrás apenas da China.

A indústria brasileira de cigarros é um duopólio. A Souza Cruz, subsidiária da British American Tobacco, tem 80% do mercado; a Philip Morris, dona de Marlboro, 16%. A força da Souza Cruz, detentora de Derby, Hollywood, Free e Dunhill, está nas marcas fortes, na presença nacional e em preços competitivos em diversos segmentos. A empresa se beneficiou tanto da migração para marcas mais baratas quanto dos fumantes que diminuíram o consumo, mas adquiriram produtos de qualidade melhor, segundo a Euromonitor.

O índice de fumantes no Brasil passou de 15,6% da população em 2006 para 10,8% em 2014, de acordo com dados doMinistério da Saúde. A meta do governo é chegar a 9,1% ao fim da década.

No mundo, são mais de 1 bilhão de fumantes. Cerca de 80% vivem em países de baixa e média renda, segundo a Organização Mundial da Saúde. A Reynolds American é a sétima maior do setor, com fatia de 1,7%. Na liderança está a China National Tobacco, com 44%, seguida pela Philip Morris (14,7%) e a British American (10,8%).

O trunfo da Reynolds está nos Estados Unidos, onde é a segunda maior, com participação de 34,9%, atrás da Altria (47,3%).

Os cigarros Camel são importados e distribuídos no Brasil pela Japan Tobacco, que detém menos de 1% do mercado local.

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