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Mais atenção a homens trans

SÃO PAULO – A Universidade de Pernambuco (UPE), através do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam) e do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), iniciou um projeto de acolhimento aos homens trans e de atenção à disforia de gênero, uma condição caracterizada pela insatisfação com o sexo biológico. Em dois meses, 60 pessoas se inscreveram para receber atendimento de uma equipe interdisciplinar, composta por psicólogo, assistente social, enfermeiro, psiquiatra, endocrinologista e cirurgião.

“Desse total, 48 homens trans já iniciaram o acompanhamento e foram vistos pelos profissionais. Para eles, há a opção de se submeter à mastectomia e à hormonioterapia. Mas o processo para mudança de sexo deve seguir um protocolo de dois anos e inclui várias avaliações psiquiátricas e psicológicas, como também assistência da enfermagem e do serviço social”, informou o psiquiatra Antonio Peregrino, professor da UPE que tem acompanhado os homens trans que participam do projeto.

Durante o 34º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que termina amanhã em São Paulo, ele anunciou como a especialidade médica da qual faz parte tem oferecido assistência às pessoas com disforia de gênero. Segundo Antonio Peregrino, são observados casos de tristeza, ansiedade e depressão nesse grupo. “São pessoas que sofrem ao longo da vida. E por isso, há um risco aumentado de suicídio no grupo trans, em comparação com a população em geral. É uma situação delicada, difícil e complexa a pessoa se sentir no sexo diferente do qual é inserido na sociedade”, comentou Antonio Peregrino, que participou da sessão sobre sexualidade, durante o congresso, ao lado da psiquiatra Carmita Abdo, presidente eleita da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), do triênio 2017-2019.

Na mesa-redonda, ela chamou a atenção para as estatísticas relacionadas à disforia de gênero. “Nessa população, em cada três adultos, um tem ideação suicida”, ressaltou Carmita. Nesses casos, a psiquiatria e a psicologia oferecem suporte não apenas para identificar os casos em que há insatisfação com o sexo biológico, mas também para fornecer assistência e tratar ansiedade, transtornos depressivos ou qualquer outro distúrbio.

O psiquiatra Antonio Peregrino ainda informou que, no Huoc, serão realizados encontros com as famílias dos homens trans, a fim de observar como cada uma delas percebe a disforia de gênero. “Algumas são bem sensíveis a essa condição. Outras apresentam resistência”, relatou.

Quem quiser participar do projeto de acolhimento aos homens trans e de atenção à disforia de gênero da UPE pode entrar em contato pelo telefone 3182-7717, às segundas-feiras, das 13h às 15h.

A repórter viajou a convite da Associação Brasileira de Psiquiatria