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Hora de intensificar cuidados com o “Aedes

Desde as duas últimas décadas do século passado, o reaparecimento do Aedes aegypti no mapa epidemiológico do Brasil associou-se a surtos, uns mais agudos que outros, de dengue. A doença estava erradicada no Brasil desde os anos 50, mas reapareceu na forma de grandes dramas. Somente ano passado, 1,6 milhão de brasileiros foram contaminados pelo mosquito, numa epidemia marcada por 863 mortes, números que assustam.

Outras duas doenças associadas ao vetor, a zika e a chicungunha, até a primeira metade desta década eram apenas uma referência de almanaque médico. Mas a primeira começou a se manifestar também como um flagelo, trazendo o medo adicional, para gestantes portadoras do vírus, da microcefalia, que se tornou uma preocupação planetária, a ponto de a Organização Mundial de Saúde emitir comunicados em diversos países.

Vê-se agora também a contaminação em larga escala pelo vírus da chicungunha. Segundo o Ministério da Saúde, este ano o registro de casos da doença aumentou quase dez vezes em relação a 2015: de 26.435 para impressionantes 251 mil ocorrências (sem contar possíveis omissões de notificação). O total de óbitos também disparou, saltando de seis em 2015 para 138 este ano.

A preocupação maior é em relação aos estados do Nordeste, região que já enfrentou uma epidemia de chicungunha no verão passado. Ali se deu a grande maioria dos casos fatais (54, em Pernambuco; 31, na Paraíba; e 19, no Rio Grande do Norte – estados onde o surto de zika de 2015 também foi mais intenso). No Estado do Rio, segundo a Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental, houve um aumento de 14.000% nos registros da doença. Mas a situação, segundo autoridades sanitárias, ainda estaria sob controle.

Esta avaliação, porém, deve ser vista com reservas, pois o período de altas temperaturas, propícias à proliferação do mosquito, ainda não começou. E experiências traumáticas da população em epidemias de dengue e zika mostram que é no verão que se atingem os picos de contaminação das doenças transmitidas pelo Aedes.

Junte-se a este outro dado, conjuntural mas também inquietante, para reforçar o apelo à intensificação de ações profiláticas: o país está em grave crise fiscal. O Rio de Janeiro pode enfrentar um colapso nos serviços – na Saúde, particularmente mais profundo. Há indicações de que o horizonte é preocupante em nível nacional. O quadro fluminense atemoriza, mas a escassez de recursos é generalizada. Neste momento, planejamento e gestão competente são essenciais para se fazer mais com menos dinheiro.