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A despedida a Rubem Franca, professor de gerações

1a2617ce83202cd607ba67c468d1d94a“Um dia fui buscar meu pai onde ele ensinava e, enquanto subia para entrar na sala de aula, escutei barulhos estranhos e gritaria. Ao abrir a porta, vi meu pai sendo bombardeado por alunos, com bolas de papel. Ele me viu entrando e gritou ‘Vem Guilherme, estamos na Segunda Guerra Mundial’”, contou o médico Guilherme Franca, filho do professor de história Rubem Franca.

O mestre morreu na madrugada de ontem, aos 93 anos, vítima de complicações cardíacas. Amigos, ex-alunos, colegas e familiares prestaram homenagens durante o velório, realizado no Cemitério Morada da Paz, em Paulista.

Franca lecionou na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Ginásio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco, Colégio Santa Maria, Colégio e Curso Radier e Colégio Padre Felix (já extinto), entre outras instituições. Além de historiador, também era formado em medicina pela Universidade do Recife e especializou-se em cardiologia no Hospital Matarazzo, em São Paulo. Ele exerceu a profissão durante 40 anos no Hospital da Restauração.

Reconhecido internacionalmente pela sua especialidade na vida e obra de Luís de Camões, memorizou a exegese sobre os 8.816 decassílabos de Os lusíadas, obra maior da literatura portuguesa. O governo de Portugal o homenageou, em 1987, pelo conhecimento sobre o assunto. Também dedicou parte da vida à astronomia, tendo estudado as 88 constelações, e frequentava a Sociedade Astronômica do Padre Polman.

Conhecido por frases espirutuosas como “a história é uma sucessão de fatos que se sucedem sucessivamente sem cassar”, Franca era professor, escritor, médico, recitador, intérprete e andarilho. “Andei junto ao meu pai, em 1978, do Recife a João Pessoa. Não é porque ele é meu pai, mas ele era incrível, um pai presente e uma pessoa maravilhosa”, disse o professor Rubem José da Fonte Franca.

As histórias faziam parte da vida do professor de diversas formas: contadas, declamadas ou interpretadas. Um dia ele teria se vestido de Napoleão durante uma aula. “Estudei no Radier entre 1975 e 1977. Muitas aulas de Rubem ficaram marcadas. Ele mudou a forma como eu via a história. Compro inúmeros livros e sempre lembro dele. Na época, tinha 15 anos quando ouvi o Sermão da montanha, mas lembro até hoje”, contou o desembargador André Genn.

O governador Paulo Câmara divulgou nota de pesar. “Quero me solidarizar com os familiares, amigos e admiradores do professor Rubem Franca. O professor Rubem nos legou uma longa e profunda produção intelectual, especialmente sobre a obra de Luís de Camões, um trabalho que teve o reconhecimento da Academia e dos seus pares, dentro e fora do Brasil”, disse.

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