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Aumenta número de transplantes no estado

O número de transplantes de órgãos em Pernambuco cresceu neste ano. Entre os meses de janeiro e novembro foram realizados 86 transplantes a mais do que o mesmo período de 2015. Apesar disso, ainda existem mais de mil pacientes na lista de espera do Sistema Único de Saúde (SUS). Gente que sonha com uma vida nova a cada dia e que, em muitos casos, só pode contar com a ajuda de doadores.

Um dos beneficiados com um transplante recentemente foi o aposentado Severino Alves de Oliveira, 68 anos. Na fila de espera por um coração há quase dois anos, ele recebeu a notícia no dia 7 de novembro que iria ganhar um coração novo. A doação veio da cidade de Petrolina, no Sertão do estado.

O doador foi um rapaz de 20 anos, que morreu em acidente de carro. Severino fez o transplante no Hospital Português do Recife e hoje está se recuperando em casa. “Primeiro, agradeço a Deus e à família do rapaz que foi o doador do coração. Também quero agradecer muito o cuidado e a atenção da minha família e de toda a equipe do hospital. Agora estou de coração novo”, ressalta  Severino Oliveira.

O crescimento no número de transplantes é comemorado pela Secretaria de Saúde do estado. Mas a negativa familiar ainda é um empecilho para ampliar o número de procedimentos. Os dados da Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE) apontam que cerca de 50% a 60% dos transplantes possíveis não realizados tiveram como causa a recusa da família. “Todo crescimento é positivo, e a gente comemora esse avanço. Mas ainda é insuficiente para o tamanho da lista de espera”, afirma a coordenadora de Descentralização da CT-PE, Domany Cavalcanti.

Até novembro de 2016 foram realizados 1.308 procedimentos de transplantes de órgãos em Pernambuco. Os mais requisitados e também os mais aguardados na lista de espera são o rim e as córneas. Apesar do aumento no número total, a CT-PE ressalta que houve uma queda no número de transplantes de órgãos sólidos (rim, rim/pâncreas, fígado e coração). “Os pacientes em fila de espera por um rim ainda têm a hemodiálise para substituir as funções vitais do órgão. Já no caso do coração e do fígado, o transplante é urgente para que os pacientes possam continuar a viver”.

“O transplante depende da população para acontecer”. Para a Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE), esse é um tema que precisa ser tratado em vida, já que no Brasil a doação só pode ser efetivada com a autorização de um parente de até segundo grau. “Quando um ente querido demonstra a vontade de doar órgãos, na hora da morte, o familiar entende que aquele é seu último desejo e tende a atendê-lo. Por isso a importância de conversamos sobre o assunto, tirarmos as dúvidas. Esse é um ato que pode salvar muitas vidas. Uma única pessoa pode tirar até sete pessoas da fila de espera”, esclarece Domany.

O órgão mais procurado na lista de espera da CT-PE é o rim, com 797 pacientes, logo seguido da córnea, com 283 e do fígado, com 81. “As pessoas precisam se informar mais sobre o assunto. A doação é coberta por mitos e isso atrapalha. Muitos acreditam que o corpo ficará deformado, e isso não acontece. O que fica é uma cicatriz de cirurgia, simples e pequena”, afirma.

Outro caso em que a negativa familiar é muito comum é a morte encefálica. O coração só continua a bater por mais algumas horas, depois disso os órgãos começam a entrar em falência. “Nesses casos, temos poucas horas para conseguir salvar os órgãos, mas muitas famílias não aceitam a morte, e não autorizam a doação”, destaca Domany.

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