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Tudo pelo Obamacare

A duas semanas de se despedir da Casa Branca, o presidente Barack Obama preparou a bancada democrata no Congresso para a primeira batalha contra o governo de Donald Trump, que assume a Presidência no próximo dia 20. Em uma reunião a portas fechadas, Obama exortou as bancadas democratas no Senado e na Câmara dos Deputados – ambas minoritárias – a defender com firmeza a manutenção do Affordable Care Act (ACA). Sancionada em 2010, a lei fundamenta o programa de subsídios do governo a seguros de saúde, popularmente conhecido como Obamacare. Simultaneamente, o vice-presidente eleito, Mike Pence, tratava de mobilizar a maioria republicana nas duas casas legislativas para que garantam a substituição do projeto.

Um dia depois de as atividades no Capitólio serem retomadas, as articulações de Obama e Pence indicaram o tom do que promete ser a primeira queda de braço entre democratas e republicanos na era Trump. Fontes relataram ao jornal The Hill que o presidente pediu aos correligionários para “não resgatarem” os adversários em sua empreitada para revogar o Obamacare. Os republicanos ainda não chegaram a consenso sobre um substitutivo para o atual programa do governo federal, mas Obama teria sugerido que a proposta republicana seja desde logo batizada de “Trumpcare”.

Embora o projeto do governo democrata atenda mais de 20 milhões de americanos e tenha reduzido para menos de 10% a faixa da população que não dispõe de seguro de saúde, os republicanos criticam os custos do projeto aos cofres públicos e as limitações impostas aos usuários dos planos subsidiados. Depois de reunir-se com a futura bancada governista, Pence afirmou que a promessa de “repelir o Obamacare e substituí-lo por soluções de menor custo” será mantida. “Não se enganem quanto a isso”, garantiu à imprensa.

O plano do governo Trump é emitir ordens executivas (decretos) para enfraquecer o programa, enquanto os republicanos no Capitólio se articulam para aprovar um projeto de lei e revogar o atual até o fim de fevereiro. O presidente eleito, porém, oscilou entre promessas de acabar com o Obamacare e preservar os “aspectos positivos”. Para observadores políticos, a definição pode depender da reação da opinião pública.

Pressão

Uma pesquisa encomendada pela tevê CBS News indica que 63% dos americanos são favoráveis a pequenas mudanças no Obamacare, enquanto 25% preferem que seja totalmente revogado. Apenas 9% defendem e a manutenção integral. Depois de líderes democratas convocarem de manifestações em defesa do programa para o próximo dia 15, organizações que defendem serviços públicos de saúde – como a Families USA e a Doctors For America – iniciaram uma campanha para que os eleitores pressionem os congressistas pela preservação do Obamacare.

Em carta aberta aos congressistas, James Madara, CEO da American Medial Association, reconheceu que o ACA é “imperfeito”, mas fez um apelo para que os ganhos nos números de americanos cobertos por seguros de saúde sejam mantidos e que a eventual proposta para substituir o atual programa seja apresentada em detalhes. Segundo a organização Committee for a Responsible Federal Budget, que monitora o orçamento, a revogação total do programa pode acarretar a perda de US$ 350 bilhões em impostos nos próximos 10 anos.

Militares

Obama reuniu-se também com o alto comando militar para pedir que garantam uma transição de poder tranquila. “Temos de garantir que a passagem do bastão se faça sem interrupções”, observou o presidente diante dos chefes de Estado-Maior e de comandantes regionais.

Durante a disputa presidencial, a presença de oficiais de alta patente em atos de campanha motivou receios sobre a partidarização das Forças Armadas. Cerca de 100 generais e outros oficiais reformados manifestaram apoio à candidata democrata, Hillary Clinton. Donald Trump, por outro lado, já indicou para seu governo três generais reformados para integrar a sua equipe: Mike Flynn será conselheiro de Segurança Nacional; John Mattis, secretário de Defesa; John Kelly chefiará a Segurança Interna.

20

milhões

Total aproximado de americanos atendidos pelo Obamacre

10%

Parcela dos cidadãos

que permanecem

sem cobertura de

planos de saúde

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