Pesquisar
Agendar Atendimento

Serviços

ver todos

Prevenção, sim. mas sem pânico, defendem médicos

Com a descoberta de um macaco na Ilha do Frade, em Vitória, um em Nova Almeida e um em Serra Sede, na Serra, e outro em Flexal, Cariacica, infectados com o vírus da febre amarela e uma suspeita de morte pela doença de um morador de Jardim da Penha, na Capital, o cenário do combate ao vírus no Estado muda. É preciso estar alerta e se vacinar por precaução, mas sem pânico.

“Não precisa ficar desesperado. As pessoas têm mesmo que ter cuidado, se imunizar, mas tem doses suficientes, não precisa dormir em fila, como temos visto. Se fosse para vacinar todos direto, seriam dias inteiros aplicando doses até a meia-noite”, destaca a infectologista Rúbia Miossi.

Ela lembra, entretanto, que no Estado a circulação entre as áreas rurais e urbanas é grande, e por isso é bom ter atenção redobrada. “Evite ir a locais onde podem ter mosquitos infectados. Entre a montanha e a praia no Espírito Santo aqui é uma hora de carro.Tem gente que vive na área urbana mas vai

visitar família, que mora do lado de uma mata”, alerta.

MOSQUITOS

Doze parques em Vitória foram fechados semana passada e muita gente se pergunta se nas pequenas áreas de mata na Grande Vitória há possibilidade de o vírus estar circulando. Mas esses insetos são comuns em locais de mata densa.

“Os mosquitos responsáveis pela transmissão silvestre existem mais em regiões de mata fechada, em copas de árvore principalmente, e não se afasta muito dali, fica num raio de 100 a 200 metros”, explica o infectologista Lauro Ferreira, sobre os insetos dos gêneros Haemagogus e Sabethes.

Mas Rúbia explica que o Sabethes pode ser encontrado em algumas áreas de mata na Serra, e por isso é importante ter cuidado.

Sobre o Aedes aegypti, transmissor urbano, Lauro lembra que a infestação é inferior a 5%, mínimo para haver uma epidemia da doença. Em episódios em que a febre se espalhou, como já aconteceu em alguns locais na África, a infestação ficava entre 30% e 40%.

Nem todos podem ser imunizados

Embora toda a população do Estado deva ser vacinada, há grupos de contraindica-ção que não podem se imunizar, ou não devem fazê-lo antes de buscar um médico para avaliação prévia. Isso acontece porque há risco de uma reação à vacina.

Além de idosos e grávidas, entram na lista portadores de HIV, pessoas com doenças que afetem a imunidade, ou com hipertensão e diabetes descontroladas.

Entre os imunizados, 5% apresentam sintomas leves de reação, como febre baixa e dor no braço. Mas há reações mais graves, como a encefalite (inflamação do cérebro), que tem 0,8 casos para 100 mil doses.

“Quando milhões de pessoas são vacinadas, algumas reações vacinais graves vão ocorrer. Mas isso é previsto pela autoridade sanitária e o risco infinitamente menor que o da doença”, diz o médico Lauro Ferreira.