Pesquisar
Agendar Atendimento

Serviços

ver todos

SUS passará a oferecer droga para prevenir HIV

O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a ofertar para pessoas com comportamento considerado de alto risco para HIV o uso preventivo de antirretrovirais. Hoje, os remédios são indicados para tratar a infecção ou, em casos de acidente, evitar a contaminação após a exposição a uma situação de risco. Esta terceira estratégia – conhecida como Profilaxia Pré-Exposição (Prep) – é feita com o uso diário de medicamento para “bloquear” a contaminação.

O protocolo sobre o uso do medicamento deverá ser publicado no Diário Oficial da União na segunda-feira. No mesmo dia, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicará autorização para que o antirretroviral truvada possa ser adotado na pré-exposição.

A oferta do medicamento, no entanto, não será imediata. Serviços de referência começarão a distribuir o remédio em 180 dias para pacientes selecionados.

No primeiro momento, a entrega dos antirretrovirais para Prep será feita em 12 capitais, entre elas São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador.

A expectativa é de que, decorrido um ano do início do programa, todas as capitais do País tenham o medicamento.

“A Prep não é uma pílula mágica”, alertou a diretora do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken, do Ministério da Saúde. “Pessoas que iniciarem a estratégia devem manter o uso de camisinha”, ressaltou.

O Brasil é o primeiro país da América Latina a incorporar a estratégia. Desde 2013, cinco estudos foram conduzidos no País para avaliar a eficácia da medida. O objetivo principal é diminuir o número de pessoas infectadas e, com isso, reduzir também a circulação do vírus.

A Prep não é indicada para a população em geral. Seu uso será permitido para pessoas com mais de 18 anos que sejam consideradas de maior risco, como profissionais do sexo, transexuais, homens que fazem sexo com homens e casais sorodiscordantes (quando um é HIV positivo e outro, não). O uso também não será automático.

Pessoas que se encaixam nesse perfil devem fazer exames para verificar se já não são portadoras do vírus e, sobretudo, se estão dispostas a manter o uso do medicamento por um determinado período de tempo.

“A proteção contra o HIV não é imediata. As pessoas que vão fazer uso da terapia precisam tomar o remédio todos os dias. A proteção começa a partir do sétimo dia para exposição por relação anal e a partir do 20.º dia para exposição por relação vaginal”, disse Adele.

A estimativa é de que 7 mil pessoas façam o tratamento por Prep por ano. O custo anual do tratamento é estimado em US$ 275 por paciente. O investimento inicial será de US$ 1,9 milhão na aquisição de 2,5 milhões de comprimidos.

Adolescentes. Em julho será iniciado em três capitais – São Paulo, Salvador e Belo Horizonte – o primeiro estudo brasileiro para avaliar entre adolescentes o uso da Prep. Feito em parceria do governo brasileiro com a organização Unitaid, o trabalho pretende mensurar a eficácia do tratamento entre jovens de 15 a 18 anos integrantes do grupo de maior risco, como garotos gays e bissexuais e garotas transexuais. Os estudos feitos até agora avaliaram o impacto da profilaxia em adultos.

Pesquisas já realizadas indicam que a Prep tem efeitos colaterais limitados entre adultos, como náuseas e, em alguns casos, alterações da função renal.

Pesquisadores vão avaliar agora se essas reações se repetem na população mais jovem.

“Mas, assim como para os adultos, a recomendação é de que as demais estratégias de prevenção não sejam interrompidas.”