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Chikungunya ameaça visão, indica pesquisa

A chikungunya pode levar a problemas de visão, inclusive cegueira. Este é o alerta de uma pesquisa sobre danos oftalmológicos provocados pelo vírus coordenada pelo médico e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na Bahia, Hermelino de Oliveira Neto. A cidade baiana foi uma das que primeiro sofreu surto da doença no Brasil.

O estudo, que ainda está em curso, apresentou dados preliminares importantes para a necessidade de controle da doença no País. Em metade dos pacientes analisados por ele houve alteração ocular e em 5% houve baixa visão. Em Pernambuco, os serviços de referência, apesar de terem recebido pacientes com queixas visuais após quadro anterior de chikungunya, aguardam com cautela comprovações científicas.

Para a aposentada Maria da Conceição Leite, 72 anos, a chikungunya é a responsável pela grande lesão descoberta na retina dos dois olhos há quase um mês. Ela teve arboviroses há um ano e meio e de lá para cá permanece com as dores articulares características da doença. Virou uma paciente crônica. “Para mim tudo isso esta relacionado, até porque antes da chikungunya não tinha essa mácula”, disse.

Conceição foi informada que o dano é irreversível e que a batalha agora é frear a progressão da lesão. Apesar de relatos como o da aposentada terem aumentado nos últimos meses, os principais serviços de oftalmologia do SUS no Estado, a Fundação Altino Ventura (FAV) e o Hospital das Clínicas (HC) , veem a relação de perda visual provocada pelo vÍrus com cautela. “A chikungunya, como toda virose, efetivamente pode comprometer a parte visual. Entretanto, a gente não tem nenhuma segurança. Eu tenho uma paciente antiga que teve chikungunya e voltou com uma lesão na retina. Será que foi doença? Para estabelecer causa e efeito e dizer que essa baixa visual é decorrente da arboviroses tem que ter estudos”, ponderou a chefe de Oftalmologia do HC, Isabel Lynch.

Para o pesquisador Hermelino Neto essa relação está ficando cada dia mais clara. Nos estudos dele foram examinados 127 olhos de pessoas que já tinham o diagnostico da chikungunya. Desses, 54% tinham alteração ocular, 95% permaneciam como boa visão e 5% com baixa visão. Nesse grupo, a maioria é irreversível. Segundo os achados, a complicação mais grave está relacionada à retina e ao nervo óptico. “Tivemos três casos em pacientes que estão sem visão.

Vítimas de chikungunya ocular. Eles tiveram atrofia do nervo óptico. O vírus causou inflamação importante que levou a cegueira”, contou o pesquisador. Os achados são inéditos na literatura médica.

Infestação segue alta em PE
O 4º Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), aponta que 153 municípios  (83%) estão em situação de risco elevado para transmissão de arboviroses. O mapa mostra que 85 localidades estão em risco de surto e 68 em situação de alerta. A situação requer atenção uma vez o risco elevado tem persistido. N 3º LIRAa quase 90% das cidades estavam em risco elevado para novas epidemias.

A chikungunya que teve seu ápice em Pernambuco o ano passado, já soma este ano quase três mil notificações, em 119 cidades. Ela é a segunda arboviroses mais frequente no Estado perdendo para a dengue que tem 10.044 casos suspeitos em 171 municípios.

O zika contabiliza 429 casos em 70 municípios. Até agora, há 64 mortes por suspeita de arboviroses. Apenas um foi confirmado para dengue no Recife.