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Superlotação no Pelópidas Silveira é denunciada

IMG_0485O Hospital Pelópidas Silveira (HPS), referência em neurologia para a Região Metropolitana do Recife, começou a semana com uma lotação 200% maior que sua capacidade. A denúncia é do Conselho Regional de Medicina (Cremepe) que inspecionou a unidade e levou ontem o caso para o Ministério Público do Estado (MPPE). Até esta quinta-feira, o Cremepe enviará a promotoria o relatório completo da vistoria na unidade para que o MPPE possa intermediar medidas urgentes que garantam a segurança no trato com os pacientes.

Durante a fiscalização do conselho havia 83 pacientes no hospital, com pelo menos 60 internados nos corredores. Grande parte era idosa. Os pacientes mais graves precisavam dividir leitos na sala vermelha.

“Com a sobrecarga de pacientes não se consegue dar uma assistência adequada. Ontem (anteontem), os médicos fiscais ajudaram até numa parada cardíaca porque diante da demanda não tinha respirador para colocar o paciente. A situação estava dramática”, relatou o presidente do Cremepe, André Dubeux.

Para se ter uma ideia, a capacidade da sala vermelha do hospital era para dez pacientes, mas estavam internados 20, e desses 11 estavam entubados. Como a capacidade nesta área já havia extrapolado ao dobro o limite, mais quadro pacientes entubados estavam na sala amarela.

Para Dubeux, além da conjuntura de aumento dos quadros neurológicos na população, é a desarticulação de leitos de retaguarda que tem provocado o caos no Pelópidas e em outras unidades de referência para a neurologia como o Hospital da Restauração, no Recife, e Mestre Vitalino, em Caruaru, no Agreste. “Todos estes estão muito sobrecarregados, mas principalmente, porque não têm leitos suficientes de retaguarda.

Os hospitais especializados fazem o atendimento aos pacientes que tiveram um AVC, por exemplo, mas muitos deles ainda precisam de dez a 15 dias para controle da hipertensão ou diabetes. Este segundo atendimento deveria ser feito no leito de retaguarda de hospitais de suporte clínico”, explicou.

Segundo o conselho, 11,6 mil pessoas precisaram de internações no SUS pernambucano por conta de acidente vascular cerebral (AVC) em 2016. Desde 2013, a marca tem ficado acima dos dez mil anuais.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) reconheceu a grande procura nas emergências da Região Metropolitana do Recife (RMR), mas informou que todas estão cumprindo seu papel de prestar assistência aos pacientes, com prioridade para os casos mais graves.

A pasta esclareceu, ainda, que o atendimento nos casos de urgência e emergência em neurologia e neurocirurgia é realizado em hospitais especializados, de alta complexidade, tanto na Região Metropolitana do Recife (Hospital da Restauração e Hospital Pelópidas Silveira) como no Interior do Estado (Hospital Mes­­­­tre Vitalino, em Caruaru, e Hospital Universitário, em Petrolina), totalizando mais de 300 leitos.

Além disso, a SES garantiu que a rede dispõe de mais de 130 leitos de retaguarda para pacientes que saíram da fase aguda do AVC e necessitam dar continuidade à assistência.

Esses leitos estão nas unidades Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), Hospital Tricentenário e Hospital Evangélico. O governo do Estado ainda destacou que políticas de prevenção e promoção à saúde em pacientes com hipertensão e diabetes também devem ter apoio nos municípios evitando assim casos de doenças cardiovasculares.