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Acesso a exame de mama preventivo não atinge toda a população

Apesar de ser mais frequente nas mulheres entre 40 e 69 anos, o câncer de mama também pode aparecer em outros públicos, como uma classificação de tumores raros. Jovens, idosas e homens estão sujeitos a apresentarem essa neoplasia e, por isso, devem se manter atentos a alguns aspectos de risco aumentado para investigar as mamas. Esses públicos, tradicionalmente, ficam de fora das estratégias de rastreio populacional pela mamografia, o que pode complicar o diagnóstico precoce da doença, o tratamento e a cura.

A pesquisa “Avaliação da rede de atenção oncológica de alta complexidade no tratamento de mulheres com câncer de mama em Pernambuco”, realizada pela pesquisadora da Fiocruz Rosalva Silva, aponta que aproximadamente 17% das pacientes em tratamento no SUS tinham menos de 40 anos de idade.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Brasil, as mulheres jovens com câncer de mama apresentam quadros mais avançados da doença, uma vez que o diagnóstico vem sendo dado tardiamente. A situação é mais complicada entre aquelas com idade inferior a 35 anos. A demora da suspeição do tumor piora a resposta terapêutica nesse grupo.

Médica radiologista do Lucilo Maranhão Diagnósticos, Beatriz Maranhão explicou que as mulheres jovens devem iniciar o rastreio antes dos 40 anos em situações específicas, que as classificam em pacientes de alto risco.

“Mulheres que já fizeram algum tipo de radioterapia no tórax durante as idades de 10 até 30 anos têm maior risco para o câncer de mama e devem começar o rastreio aos 30 anos. A mesma regra vale aquelas com algumas síndromes genéticas que tem uma associação aumentada com o câncer de mama. Entre essas síndromes estão a Li-Fraumeni e a síndrome de Cowden. Fora as pacientes que, sabidamente, tem as mutações dos genes BRCA1 e BRCA2, que é a mesma da atriz Angelina Jolie”, informou.

Mulheres com forte histórico familiar para tumores nas mamas, ovários e intestino, podem através de aconselhamento médico, iniciar o rastreio também a partir dos 30 anos, ou dez anos antes do caso de neoplasia da paciente mais jovem diagnosticada na família. Beatriz Maranhão destacou ainda que para estes grupos de risco aumentado, o rastreio pode começar pelo exame de ressonância magnética aos 25 anos de idade.

A médica esclareceu que para os homens não há preconizada estratégia de rastreamento por mamografia, uma vez que a incidência da doença neles é de cerca de 1%. Neste caso, o autoexame balizará a busca pela ajuda médica. Quando há algum tipo de desconforto nas mamas, presença de nódulos ou alteração da pele, o paciente pode realizar a mamografia ou ultrassom que ajudam a identificar o quadro.

Um fator importante em relação ao câncer de mama nos homens afeta, na verdade, as mulheres da família dele. As irmãs e filhas deste paciente oncológico tornam-se grupo de risco e devem investigar quadros genéticos que possam despertar a neoplasia.

No caso do grupo de idosos, a abordagem de testagem também tem regras específicas. Como estratégia de saúde pública, a mamografia é indicada com regularidade anual até os 69 anos. No entanto, segundo a médica, as mulheres com expectativa de vida superior a sete anos devem continuar realizando os testes. Mesmo com um diagnóstico positivo, o carcinoma mamário nas pacientes da terceira idade tem agressividade menor e as indicações terapêuticas variam de caso a caso.