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Autoestima é remédio eficaz

Atividades voltadas para promover o bem-estar e melhorar a aparência de mulheres com câncer geralmente impactam positivamente a qualidade do tratam ento da doença. Quando o tumor atinge a mama, a autoestima tende a ficar mais estremecida (em comparação a outros tipos de câncer) porque a paciente passa a sentir insegurança diante da possibilidade de ter a feminilidade atingida com a mastectomia (retirada da mama). Dessa maneira, os médicos são unânimes ao reforçar que manter em alta o amor-próprio ajuda a trazer benefícios ao p rocesso terapêutico, que pode incluir cirurgia, quimio e radioterapia.

“O tratamento do câncer de mam a traz alterações corporais para a mulher, o que geralmente a deixa desmotivada para enfrentar os tratamentos. Ao ter a mama removida ou ao iniciar a quimioterapia, que leva à queda do cabelo, à palidez e ao ressecamento da pele, a paciente pode pensar em desistir ou ficar sem estímulo para seguir o tratamento”, explica o médico Fábio Malta, superintendente técnico do Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP). A instituição, localizada em Santo Amaro, área central do Recife, realizou ontem, no Dia Internacional de Combate ao Câncer de Mama, o Dia de Beleza – atividade com o objetivo de recuperar a autoestima de mulheres em tratamento no HCP.

Na ocasião, duas maquiadoras profissionais levantaram o astral e transformaram o dia de 35 pacientes e seus acompanhantes. A atividade fez parte de uma parceria entre o hospital e a Yes! Cosmetics, empresa pernambucana que promove uma missão beneficente: 1% das vendas do mês de outubro, de todas as lojas da marca do País, será revertido para o HCP. “Uma ação como esta eleva a autoestima das mulheres e faz com que cada uma delas enfrente melhor as reações ao tratamento, já que os efeitos colaterais podem até ser minimizados”, frisa Fábio.

O depoimento do médico reforça como as pacientes, que preservam o amor-próprio, podem se sentir confiantes e valorizadas ao terem, em relação a si próprias, um afeto positivo. Com um bom estado de espírito ao longo do processo terapêutico, a mulher geralmente passa a ter capacidade para lidar com os desafios que lhes são impostos pela doença e, dessa maneira, tende a se adaptar a contratempos e possíveis mudanças físicas que aparecem em decorrência do tratamento. “Com a autoestima em alta, a paciente se fortalece, enfrenta melhor o tratamento e, consequentemente, a doença, em busca da cura. E isso vale para todos os tipos de câ ncer”, acrescenta Fábio.

Moradora de Tacaratu, município do Sertão do São Francisco, a agricultora Maria Aparecida da Silva, 36 anos, passa por sessões de quimioterapia para tratar o câncer de mama, diagnosticado há um ano e meio. “Meu cabelo era muito grande, chegava até a cintura. Quando começou a cair, foi muito difícil para mim. Mas o cabelo já começou a crescer e estou bem agora.”

Ontem ela recebeu, durante o Dia de Beleza no HCP, uma peruca das voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer. “Ficou bem em mim”, disse Maria Aparecida, ao usar o acessório. Na próxima segunda-feira, ela volta ao hospital para mais uma sessão de quimioterapia. “Falta pouco para terminar o tratamento”, conta a agricultora, sem deixar de lado a fé na cura.

SAIBA MAIS

90%

é o percentual médio de chance de cura do câncer de mama, caso seja detectado precocemente, segundo o Inca. Para este ano, são estimados 58 mil casos novos no Brasil

57%

das mortes por câncer de mama ocorrem entre mulheres com menos de 65 anos na América Latina e no Caribe, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde.