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Maus hábitos podem possibilitar neoplasia

Existe algo que desperta o câncer de mama? Como podemos evitá-lo? Quando ele é herdado pela genética familiar, o que fazer? Essas são perguntas recorrentes entre as mulheres de qualquer idade e classe social que temem um diagnóstico positivo para a enfermidade. Agir antes que a doença já esteja instalada ainda é um desafio. Mas, a profilaxia é possível.

Estimativas apontam que cerca de 20% dos tumores de mama têm origem em mutações do DNA. Já os demais 80% dos adoecimentos estão relacionados a causas ambientais. Estes são aqueles maus hábitos que podem minar a saúde e servir de atrativo para a neoplasia. Você sabia que, por exemplo, a obesidade, sobrepeso e sedentarismo aumentam em 20% o risco de câncer de mama? Mudanças no estilo de vida e conhecimento prédio de alterações genéticas podem ser o diferencial para quem fica longe do câncer.

“É importante chamar atenção para alguns fatores (de aumento de risco) que mudando o hábito de vida a gente tem como controlar e reduzir o risco. Isso acontece, por exemplo, controlando uma dieta e deixando de ser sedentário”, considerou a gerente do Centro de Oncologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), a oncologista Cristiana Tavares.

Essa revisão sobre o que comemos e como comemos, e se nos exercitamos e como nos exercitamos incidem diretamente sobre o que a médica chama de fatores modificáveis para o desenvolvimento da neoplasia mamaria. “A mulher obesa que não teve câncer depois da menopausa tem risco aumentado da doença. E as mulheres que já tiveram câncer e já foram tratadas tem que controlar o peso porque a obesidade nela é fator de risco para que a doença volte”, alertou.

Cristiana explicou que a gordura no organismo, após a menopausa, funciona como um reservatório de estrógeno, hormônio sabidamente perigoso para o aparecimento de tumores nas mamas.

Por falar neste hormônio, quanto mais tempo a mulher fica exposta ao estrógeno, mais risco há do aparecimento da doença. É por isso que, as meninas que menstruam antes dos 10 anos de idade, e as mulheres que tem uma menopausa tardia, após os 52 anos, compõe um grupo que merece atenção especial pela maior presença do hormônio ao longo da vida reprodutiva.

Na mesma situação estão aquelas que tiveram filhos depois dos 30 anos ou que nunca engravidaram e nunca amamentaram. Durante a gestação e amamentação os níveis de estrógeno diminuem e contribuem, assim, para uma proteção natural desse grupo. A oncologista ainda explicou a polêmica sobre terapias de reposição hormonal. “A questão da reposição hormonal pode aumentar o risco de câncer de mama também. Não é que ela seja contraindicada, mas precisa ser bem indicada. Existem pacientes que podem fazer e os que não podem fazer. As pacientes que fazem precisam de controle rigoroso”.

No assunto das causas herdadas, o especialista em Oncogenética do Real Hospital Português, Diogo Soares, no câncer de mama, as principais alterações hereditárias ocorrem nos genes BRCA1 e BRCA2, mas há outros que podem causar a doença como TP53, CHEK2, ATM.

“A partir da testagem genética teremos medidas redutoras de risco. Em algumas situações são indicadas cirurgias preventivas, que a gente chama de cirurgia profilática. As estratégias de rastreamento também mudam. Para todos esses genes existem com conduta diferente”, explicou. O especialista ainda comentou que a medicina estuda para tentar corrigir os defeitos genéticos que propiciam o câncer, mas ainda em caráter experimental.