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Câncer de próstata: tabu a ser vencido

Um em cada sete homens terá que lidar, em algum momento da vida, com o câncer de próstata. Tipo de tumor sólido mais comum entre os homens e segunda maior causa de morte por causa oncológica no sexo masculino, a doença acometerá 61,2 mil pessoas no Brasil neste ano. Pernambuco, com a maior taxa de incidência do Nordeste, terá 2,7 mil novos casos. Em todo o mundo, há uma tendência de crescimento da incidência até 2030. Por isso, entidades e profissionais de saúde se unem, mais uma vez, para colorir novembro de azul e incentivar os homens a prestarem atenção no próprio organismo.

O câncer de próstata é silencioso, pode demorar até 10 anos dentro do corpo para se manifestar por meio de sintomas. Atualmente, cerca de 25% dos pacientes acometidos morrem devido à doença, estima a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Isso acontece porque dois em cada 10 diagnósticos ainda acontecem em estágios avançados, consequência da falta de cuidados do próprio homem com o corpo. Enquanto as mulheres estão habituadas a procurar o médico pelo menos uma vez por ano, a população masculina tem resistência em cuidar da própria saúde.

Para o urologista do Hospital de Câncer de Pernambuco Rômulo Vasconcelos, embora o preconceito esteja diminuindo, essa resistência ainda é o grande desafio a vencer na batalha contra as mortes por câncer de próstata. “A gente vive numa sociedade que tem um forte componente maternal, então lidamos com o machismo, muitas vezes velado. O homem ainda se sente como força motriz da família, acaba sem tempo para cuidar de si. É preciso criar essa consciência de que ele adoece sim e precisa de cuidados”, lembra.

Parte do preconceito está ligado aos exames utilizados para investigar o câncer de próstata, o Toque Retal e o PSA. A recomendação da SBU é que homens a partir de 50 anos procurem o urologista, uma vez por ano, para realizar uma avaliação de rotina. Quem tem parentes de primeiro grau com histórico da doença e homens de raça negra (nos quais a incidência é maior) devem buscar a orientação profissional a partir dos 45 anos. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) orienta conhecer os riscos e benefícios da realização dos exames de rotina e reitera que os riscos estão relacionados às consequências dos resultados e não à realização dos exames. Dentre os benefícios estão o de identificar o câncer no início. Entre os riscos apontados pelo Inca, estão o de diagnosticar e tratar um câncer que não evoluiria.

Se diagnosticado de forma precoce, o câncer de próstata tem chances de cura de mais de 90%. Quando a doença é descoberta em fase avançada, a mortalidade é acima de 50%. O tumor surge na periferia da próstata e pode invadir o canal urinário. “Se o paciente deixa para procurar o médico quando está com dificuldade de urinar, o câncer já está avançado”, detalha o urologista do Instituto de Medicina Integral (Imip) e do Hospital Santa Joana Guilherme Maia. “É importante ressaltar que identificar o câncer não significa tratamento radical. Hoje em dia existem condutas mais conservadoras de acompanhamento e observação, mas para que isso aconteça é preciso diagnóstico”, diz Rômulo Vasconcelos. O engenheiro Marcos Aurélio Siqueira, 76, sempre realizou os exames de rotina. No último deles, constatou o tumor. “O diagnóstico me abalou. Até fazer a cirurgia, vivi um estresse violento”, conta ele, que está em processo de recuperação, mas retomou a rotina normal. “É um câncer e não um bicho de sete cabeças”, conclui.