Pesquisar
Agendar Atendimento

Serviços

ver todos

Nem sempre é preciso tratar

Pode soar estranho para o paciente escutar do médico que, após o diagnóstico de câncer de próstata, o melhor caminho é monitorar o tumor, sem fazer uso de intervenções terapêuticas, como cirurgia ou radioterapia. No mínimo, bate um sentimento inicial de desconfiança, especialmente porque o câncer tende a ser associado à malignidade e à morte. “Homens com a doença geralmente não recebem bem a indicação de monitoramento porque querem tomar logo uma providência e seguir um tratamento clássico”, explica o urologista Luiz Henrique Araújo, do Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP).

Essa conduta, chamada de vigilância ativa, vem sendo indicada com responsabilidade pelos especialistas porque atualmente, ao se descobrir o câncer de próstata, é possível avaliar a sua agressividade. Nos casos dos tumores de baixo risco, esse monitoramento pode ser tão eficaz (ou até mais) quanto indicar um tratamento como a prostatectomia radical – cirurgia em que é retirada a próstata. “Nas situações de vigilância ativa, o paciente é acompanhado com exames seriados capazes de mostrar se houve ou não progressão do tumor”, diz Luiz Henrique, que também é diretor da Sociedade Brasileira de Urologia/Seccional Pernambuco (SBU/PE).

O médico explica que, ao seguir essa abordagem, o paciente passa periodicamente pela dosagem do antígeno prostático específico (PSA) no sangue, pelo exame de toque retal e por biópsia a cada um ou dois anos. “Na vigilância ativa, também se indica a ressonância magnética multiparamétrica da próstata, que faz avaliação funcional da glândula prostática e verifica se tem algum foco tumoral que não foi identificado em exames convencionais.”

Na quarta-feira (1º), Luiz Henrique participou de programa, na TV JC, sobre o início das ações deste ano relativas ao Novembro Azul (movimento de conscientização sobre o câncer de próstata) e esclareceu os questionamentos sobre a vigilância ativa. Para quem é submetido a esse monitoramento, um tratamento é indicado ser for identificada progressão da doença, principalmente em pacientes com expectativa de vida superior a 10 anos, segundo a SBU. Essa medida é adotada para poupar pacientes com tumores indolentes das consequências do tratamento.

Mesmo com tantos avanços na medicina, cerca de 13 mil homens morrem anualmente em consequência da doença no Brasil. A maioria desses óbitos é decorrente da falta do diagnóstico precoce do tumor, capaz de curar 90% dos casos. Por isso, o rastreamento deve iniciar a partir de 50 anos. Aqueles da raça negra ou com histórico de parentes de primeiro grau com o tumor devem começar os exames aos 45 anos.