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Em mulheres, risco de retorno do câncer pode durar 20 anos

Tratado o câncer, as atenções voltam-se para a possibilidade de recidiva. De uma forma geral, esse acompanhamento dura cinco anos. Mas os resultados de um estudo conduzido na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, indicam que, no caso de mulheres acometidas por um tipo comum de câncer de mama, a vigília tem que durar mais tempo. Os pesquisadores descobriram que pacientes com tumores alimentados pelo hormônio estrogênio enfrentam um risco “substancial” de a doença reaparecer mesmo 20 anos após a descoberta dela

A equipe chegou à conclusão ao analisar dados de 88 testes clínicos envolvendo cerca de 63 mil mulheres com câncer de mama que é alimentando pelo estrogênio. As pacientes foram submetidas à terapia endócrina, cujo objetivo é reduzir os níveis do hormônio feminino e bloquear a ação dele que favorece a multiplicação de células tumorais. Durante os cinco anos da intervenção com o tamoxifeno, a substância padrão nesse tipo de tratamento, não houve registro de recidiva. A equipe, porém, detectou um risco “estável” de recorrência de tumores nos 15 anos seguintes.

“Embora essas mulheres tenham permanecido sem recorrência nos primeiros cinco anos, o risco do câncer voltar em outros lugares – por exemplo, no osso, no fígado ou no pulmão – do ano quinto ao vigésimo permaneceu constante”, ressaltou Daniel Hayes, autor sênior do estudo, divulgado nesta semana na revista científica New England Journal of Medicine, e professor de pesquisa sobre câncer de mama da Universidade de Michigan.

Segundo os dados do estudo, a atenção deve ser ainda maior em mulheres cujos tumores originais eram grandes e afetaram quatro ou mais gânglios linfáticos, os linfonodos. Nelas o risco de recorrência nos 15 anos seguintes ao tratamento foi de 40%, contra 10% entre aquelas que tiveram um câncer de mama de pequeno porte e sem disseminação para os linfonodos.

Para os autores, os resultados levantam questões sobre possíveis mudanças no tratamento padrão de mulheres com esse tipo de tumor. A prática é usar os inibidores hormonais durante cinco anos, mas há especialistas que defendem que o tratamento seja estendido para 10 anos. “Esses dados podem ser usados pelos pacientes e seus prestadores de cuidados de saúde quando considerarem se devem continuar com a terapia antiestrogênio por mais de cinco anos, após pesarem os efeitos colaterais e a toxicidade das terapias”, ressalta Hayes. Entre as reações adversas estão ondas de calor, secura vaginal, osteoporose e dor nas articulações. “Embora essas mulheres tenham permanecido sem recorrência nos primeiros cinco anos, o risco do câncer voltar em outros lugares – por exemplo, no osso, no fígado ou no pulmão – do ano quinto ao vigésimo permaneceu constante”

Daniel Hayes, autor sênior do estudo e pesquisador da Universidade de Michigan