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Atraso em repasse de verba

governo de Pernambuco está com, pelo menos, dois meses consecutivos de atraso no repasse da verba para as instituições que administram as Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAEs). Com as operações no vermelho, as organizações sociais (OSs) que gerenciam esses estabelecimentos de saúde, localizados em municípios do interior do Estado, ficam de mãos atadas para pagar em dia os salários dos funcionários.

Em alguns casos,também se acumulam dívidas com prestadores de serviço e fornecedores. Só ao Imip Hospitalar, responsável por gerenciar três UPAEs (Garanhuns, Petrolina e Salgueiro), os tesouros estadual e nacional devem cerca de R$ 60 milhões – valor inclui também atrasos de repasse a oito Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e a quatro hospitais: Dom Malan (Petrolina); Miguel Arraes (Paulista), Dom Helder Camara (Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife) e o Pelópidas Silveira (Curado, ZonaOeste da capital).

Os valores estão em planilha apresentada à reportagem por fontes ligadas ao setor.A dívida pode crescer a partir de hoje (atingindo cerca de R$ 90 milhões), quando termina o prazo para pagamentos referentes ao mês de dezembro. Apesar dos atrasos, os profissionais das UPAEs administradas pelo Imip Hospitalar continuam a atender os pacientes. Só em Garanhuns, onde a unidade deixou de pagar em dia o 13º aos funcionários, houve paralisação dos médicos no fim do ano passado, mas os atendimentos foram normalizados. A dívida com a UPAE de Garanhuns é de R$ 4,5 milhões. Na unidade de Salgueiro, o total em atraso chega a R$ 2,2 milhões. Já a UPAE de Petrolina tem um valor mais alto a receber: R$ 12,3 milhões. Nos montantes, há também parcelas de novembro e dezembro de 2016 que faltam ser pagas.

É a mesma situação da UPAE de Caruaru, administrada pela Fundação Altino Ventura (FAV), cujos funcionários chegaram a entrar em greve na última terçafeira. “Voltaram a trabalhar às 9h da quarta-feira, e as cirurgias que foram canceladas por causa da paralisação serão remarcadas. De fato, há atrasos intermitentes no repasse de recursos para a FAV. Esse valor chega a R$ 12 milhões e, por isso, os profissionais já vão entrar no terceiro mês sem receber os vencimentos”, esclarece o diretor administrativo da OS, Mário Lira Júnior. Os problemas também se acumulam nas duas UPAEs geridas pelo Hospital do Tricentenário. Na unidade de Serra Talhada, há nove parcelas (não contínuas) em atraso e, mesmo assim, a OS conseguiu pagar os salários dos funcionários, segundo a assessoria de imprensa.

E em Afogados da Ingazeira, são sete meses (não contínuos) em que não houve repasse de recursos. Os profissionais ainda aguardam os vencimentos de dezembro. Procurado para se posicionar sobre a dívida do Estado, o Hospital de Câncer de Pernambuco, que administra as UPAEs de Arcoverde, Belo Jardim e Arruda (ZonaNorte do Recife),recomendou que a reportagem procurasse a Secretaria Estadual de Saúde (SES). Em nota, a pasta esclarece que será feito um repasse para a UPAE de Caruaru nos próximos dias. Sobre o atraso no repasse às demais unidades, “a SES reforça que está trabalhando e que não tem medido esforços, mesmo diante da grave crise econômica que atinge todo o País, para regularizar o pagamento às organizações sociais que prestam serviço para a rede estadual”.

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Médicos do Recife param por cinco dias

Médicos da Prefeitura do Recife anunciam paralisação dos serviços eletivos, ambulatoriais, dos Postos de Saúde da Família (PSFs) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), de segunda (8) a sexta-feira (12). Apenas os os setores de urgência, emergência e maternidade estarão funcionando, como forma de protesto à falta de avanço nas negociações salariais e trabalhistas. Na segunda-feira, profissionais vão realizar atendimento gratuito, como aferição de pressão e glicose, das 9h às 14h, no Parque Treze de Maio, área central do Recife. “Há mais de nove meses estamos negociando.

Um dos pontos principais é a insegurança depois que tiraram os vigilantes das unidades de saúde“, diz o presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Tadeu Calheiros. “Sobre a questão salarial, não houve cumprimento do que foi acordado em 2016, nem perspectiva para este ano. Nossa reivindicação é de 6% de aumento, retroativo a 2017. Além disso, faltam medicamentos e materiais básicos e é necessário concurso público para reposição de pessoal”, afirma.

Ontem pela manhã, enfermeiros e técnicos de enfermagem do Hospital da Restauração fecharam a Avenida Agamenon Magalhães em protesto ao atraso de três meses nos pagamentos dos plantões extras e caminharam até a frente da residência do governador Paulo Câmara. A Secretaria Estadual de Saúde explicou que pagará setembro até o dia 8 e está trabalhando no restante.