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Vírus da FA é achado em novo mosquito

Possível transmissor está sendo chamado de “primo” do Aedes, conhecido como Aedes albopictus. ou “Tigre Asiático”

Brasília, DF, e São Paulo

(Folhapress) – Uma pesquisa do Instituto Evandro Chagas detectou a presença do vírus da febre amarela (FA) em um mosquito diferente daqueles que hoje são apontados como transmissores da doença -o Aedes albopictus.

A descoberta ocorreu após análise de mosquitos capturados no primeiro semestre do último ano em áreas rurais próximas aos municípios de Itueta e Alvarenga, em Minas Gerais.

Segundo o diretor do instituto, Pedro Vasconcelos, é a primeira vez que o vírus é detectado nesse mosquito, encontrado na área rural de algumas regiões brasileiras. O resultado indica que o Aedes albopictus está suscetível ao vírus da febre amarela, o que não havia sido verificado até então. Ainda não é possível dizer, porém, se ele é capaz de transmitir a doença.

Para isso, o instituto, com apoio do Ministério da Saúde, planeja fazer novos estudos que possam verificar a capacidade vetorial desse mosquito, também conhecido como “Tigre Asiático”. “O simples encontro do vírus da febre amarela nos tecidos desses mosquitos não indica que ele tem capacidade vetorial [ou seja, de transmitir o vírus]”, afirma Vasconcelos. “São necessários novos estudos”.

A pesquisa é necessária uma vez que, em outros países, há outros mosquitos que também já foram encontrados com o vírus da febre amarela, mas que não o transmitem. É a primeira vez, no entanto, que isso ocorre com o Aedes albopictus.

“Temos outros mosquitos infectados com o vírus de febre amarela na mata. São mosquitos que carregam o vírus, mas que não tem potencial de transmitir”, completa. A previsão é que os resultados saíam em até 45 dias.

Além de Minas Gerais, a pedido do ministério, pesquisadores também devem reforçar a captura de mosquitos no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde há casos da doença, para verificar se há presença do vírus em outros Aedes albopictus e se há ou não possibilidade de transmissão por meio dele.

“Também precisamos verificar se encontramos o mosquito recém-infectado ou se eles já estavam infectados há muito tempo”, explica. “Se estava infectado há muito tempo, significa que a capacidade vetorial dele é muito baixa”.

Para o virologista Maurício Nogueira, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, o achado é um dado epidemiológico “muito importante”. “Pode significar uma primeira etapa de urbanização da doença. Embora o albopictus não seja um mosquito de grandes metrópoles, com o ae-gypti, ele tem capacidade sim de transmissão. As autoridades não podem confiar no “eu acho que não vai acontecer'”, afirma.

Ele explica que o albopictus tem uma capacidade vetorial muito semelhante ao do aegypti e que, na Asia e no Caribe, já esteve envolvido em epidemias de dengue e de chikungunya. “Por aqui, o papel dele em sustentar epidemias não é conhecido”.

Segundo Nogueira, pode ser que agora haja respostas, por exemplo, para a indagação sobre o motivo do aumento de casos de febre amarela. “Será que se adaptou a um novo vetor?”

Atualmente, a transmissão de febre amarela no Brasil ocorre pelos mosquitos Húemúgügus e Súbethes, que ficam em áreas rurais e de mata -é o chamado “ciclo silvestre” de transmissão, já o responsável por uma possível transmissão em área urbana seria o Aedes ae-gyptí, que também pode transmitir dengue, zika e chikungunya. O Brasil, no entanto, não registra transmissão urbana de febre amarela desde 1942.