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Mais transplantes e longa fila de espera

Indicado para pacientes com doença renal crônica avançada, o transplante de rim cresceu, nos dois primeiros meses deste ano, em 50% em Pernambuco, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em janeiro e fevereiro, foram 69 procedimentos (em 2017; 46). Paradoxalmente, o órgão é o primeiro na fila de espera: são 768 pacientes aguardando. No Estado, a intervenção é realizada pelo SUS no Hospital Português, no Imip e no Hospital das Clínicas. Este só faz a cirurgia a partir de doadores vivos (permitido pela legislação brasileira até o quarto grau de parentesco).

Geralmente, pacientes que se submetem ao transplante de rim têm maior sobrevida ao longo dos anos, mas a hemodiálise também pode ser indicada.

“É por isso que a mortalidade em lista de espera por um rim, em relação a outros órgãos, é seis vezes menor. Enquanto aguardam o procedimento, as pessoas ficam em hemodiálise, há uma opção além do transplante nesses casos”, esclarece a coordenadora da Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE), Noemy Gomes.

A fila grande para receber um rim não é uma realidade nacional.

A explicação é que, diferentemente dos outros transplantes, o de rim depende (além da compatibilidade do grupo sanguíneo) de compatibilidade genética entre doador e receptor. “Quando o órgão aparece, logo se pensa no paciente mais compatível, que pode estar na lista de espera há menos tempo do que outro que está há mais tempo e que encontra dificuldade com a compatibilidade genética para receber o rim.” Outros fatores também são analisados para se autorizar o transplante renal, como a condição de saúde do doador. “Se ele tiver hipertensão e diabetes sem tratamento, a função renal pode estar afetada, o que pode invalidar o procedimento”, acrescenta. Esses detalhes exigem a manutenção do trabalho de conscientização da população e de mobilização dos profissionais de saúde.

“Sensibilizamos os parentes de potenciais doadores sobre esse ato de solidariedade. Também focamos na capacitação dos profissionais de saúde para otimizar o trabalho de acolhimento das famílias e ações de manutenção do potencial doador e de todas as etapas para concretizar o transplante.” Apesar de todo o empenho, 21 das 43 famílias (de potenciais doadores) entrevistadas em Pernambuco, em janeiro e fevereiro deste ano, não autorizaram o procedimento. Ou seja, 48,8% das doações foram inviabilizadas.

“A população precisa saber que a doação de órgãos só ocorre quando há a efetiva morte do doador, que passa por uma sé- rie de avaliações e exames.” PEÇA A doação de órgãos será abordada na peça Começar Outra Vez, que aborda a importância do diagnóstico precoce da hepatite C, doença tratável que, sem assistência devida, pode levar o paciente à fila de espera por um fígado. O espetáculo tem apoio da CT-PE e das secretarias estaduais de Saúde, Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, universidades, hospitais.