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O custo da velhice

Não está oficialmente estabelecido, nem parece constar das preocupações prioritárias da classe política brasileira, mas os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aliados ao bom senso de qualquer observador advertem que um caminho único em saúde pública associada ao envelhecimento deve ser prevenção mais expansão e melhoria do SUS. Desde já está sendo possível verificar que nenhum malabarismo retórico ou matemático impedirá, a curto e médio prazos – mantidas as condições atuais – o colapso na atenção à saúde de um segmento populacional acima de 70 anos de idade, por exemplo, que representava em 1920 um quinto da população com idade entre 25 e 29 anos, passava da metade em 2010 e representará o dobro em 2040.

Os números mostram a procedência do ditado popular “melhor prevenir do que remediar”: em 2040, a estimativa da população com idade entre 25 e 29 anos é de 14 milhões, enquanto os que ultrapassarão os 70 anos de idade chegam a 28 milhões, mais do que as populações atuais de 6 dos 12 países da América do Sul. Essa relação projeta a gravidade de um problema que a repórter Bianca Bion mostrou na edição deste JC de domingo último, na reportagem “O custo de envelhecer”. Trata- se de uma abordagem de casos com estudo de campo cuja ementa poderia ser resumida em uma frase: Idosos pagam em média quase seis vezes mais para ter assistência privada que a primeira faixa etária de zero a 18 anos. Na ponta do lápis, para quem tem entre zero e 18 anos, um plano com serviços ambulatoriais e hospitalares custa R$ 208,15 por mês; enquanto para quem tem 59 anos ou mais, chega a R$ 1.180,17 em média, ou seja 5,7 vezes mais.

No exemplo dado pela repórter, o idoso, com 76 anos, sente na pele o preço do envelhecimento: seu plano de saúde individual passou a consumir 50% do orçamento. Um percentual capaz de incomodar qualquer nível de remuneração e, mais ainda quando se trata de salários mais baixos. Nesse tratamento diferenciado que leva a penalizar quem ganha menos e é mais velho estão contidos os componentes de uma situação de consequências insondáveis de tão profundas: se assim é agora, imagine-se o que virá em seguida, quando o IBGE antecipa o que poderá ser o caos na ausência de políticas públicas, isto é, até 2060 a faixa etária com 80 anos ou mais somará 19 milhões de pessoas. Essa é a dramática condição de pessoas idosas que parecem condenadas a ver o custo da saúde privada crescer mais que a renda, com uma projeção técnica inevitável, conforme Leonardo Paiva, chefe de gabinete da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, disse à Agência Brasil ao explicar que o País vai passar pela transição demográfica antes de se tornar um país desenvolvido, o que aumentará o desafio: “Teremos a mudança de doenças infectocontagiosas para doenças crônicas comuns à terceira idade”.