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Whatsapp: há limite na medicina?

O uso de ferramentas de mensagens instantâneas, como o WhatsApp, é aprovado por 85% dos médicos que participaram de uma pesquisa da Associação Paulista de Medicina (APM). Os resultados, divulgados no último dia 4, ainda revelam que 57,9% dos participantes do levantamento são favoráveis a consultas a distância. E quando o tema é prescrição a distância, as opiniões são divididas: 49,17% concordam (em receitar medicamentos por aplicativos de mensagem instantânea), mas 50,83% dizem que não concordam com esse tipo de prescrição.

Integrante da diretoria do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), o urologista André Dubeux acredita que a medicina não deve caminhar longe dos canais que permitem interação, mas ressalta que é preciso ter bom senso no uso de recursos tecnológicos, que têm modificado a dinâmica de relacionamento entre médicos e pacientes. “As mídias sociais podem e devem ser usadas para otimizar tempo e operacionalizar, inclusive, condutas rápidas. O Conselho Federal de Medicina tem uma resolução que estabelece cuidados éticos que o médico deve ter nesses casos”, diz André Dubeux. Sobre prescrição de medicamentos feita por ferramentas de mensagens instantâneas, ele alerta para para as limitações. “A prescrição subentende que o médico fez um raciocínio clínico com base numa queixa do paciente, em exames físicos e eventuais testes laboratoriais que tenham sido feitos. No momento em que se começa a prescrever (a distância), pode-se a vulgarizar o atendimento, e o médico pode incorrer em infrações éticas.”

O levantamento também revelou que 84,67% dos médicos dizem usar recursos tecnológicos para observação dos pacientes e otimizar o tempo da consulta. O prontuário eletrônico é o recurso mais usado, com 76,75% das respostas no grupo dos profissionais que já incorporaram a tecnologia na rotina. “Um dos maiores problemas, na área de saúde, é o acesso. Por barreira geográfica, não se consegue chegar ao local do atendimento. A redução de profissionais deve acontecer, e não somente médicos”, diz o diretor da APM, Antônio Carlos Endrigo. A pesquisa da instituição foi realizada por questionário online estruturado e contou com 848 respostas espontâneas.

A principal causa de morte relacionada a diabetes

A diabetes ocupa o quinto lugar entre as doenças que mais matam no Brasil. No entanto, alguns especialistas acreditam que esse impacto pode ser muito maior. “A diabetes predispõe ao infarto e ao desenvolvimento de vários tipos de câncer”, explicou o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, em seminário realizado na última semana.

E quem já convive com diabetes tem que também tomar cuidado com as doenças cardiovasculares, que afetam os vasos sanguíneos e o coração. “Para diminuir a mortalidade por diabetes tem que tratar o coração”, aconselha o cardiologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas (Unicamp), Otávio Rizzi. E acrescenta: “85% dos diabéticos vão morrer de doenças macrovasculares, que incluem problemas como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), doença arterial periférica e insuficiência cardíaca. Quem tem diabetes possui o dobro da chance de infartar”, diz Rizzi. O que ambos os especialistas propõe ao paciente é mudar o estilo de vida para um modo saudável, cuidar da alimentação, fazer exercícios físicos e tomar os medicamentos prescritos pelos médicos. “É uma doença complexa, que requer um tratamento complexo”, atesta Couri. Ambos defendem um tratamento integrado com uma equipe formada por vários profissionais, incluindo cardio e endocrinologista.

E a preocupação com a diabetes deve chegar também à população mais jovem, pois ocorreu um aumento de 93,2% a mais de obesidade, nas pessoas de 18 a 24 anos, entre 2006 e 2016, segundo a pesquisa Vigitel realizada pelo governo federal. “Essa conta vai chegar. Quando se aumenta a circunferência abdominal, vêm diabetes, triglicérides alto e apneia do sono”, resume Couri.

l colaborou, de São Paulo, a repórter Ângela Belfort

Pré-diabetes

O termo acima define o risco aumentado para se desenvolver diabetes. A condição é identificada quando a glicemia está mais alta do que o normal, mas não o suficiente para dar um diagnóstico de diabetes. Cerca de 70% das pessoas com glicemia de jejum alterada, se não tratadas, desenvolvem diabetes tipo 2. Pesquisa recente da Merck, conduzida pelo Ibope, mostra que 42% dos brasileiros desconhecem o termo pré-diabetes e suas consequências, o que faz passar a oportunidade das ações de prevenção.

História e ciência

Até 2 de janeiro, o Museu do Imip sedia a exposição Ciências Médicas: Estudo e Prática no Hospital Pedro II , que reúne registros sobre o elo entre a Santa Casa de Misericórdia do Recife e a Faculdade de Medicina do Recife. A mostra traz fotografias, instrumentos e livros da época em que o Hospital Pedro II era um hospital-escola da Faculdade de Medicina de Pernambuco. O museu do Imip fica no térreo do Pedro II, nos Coelhos, área central do Recife, e funciona de segunda a quinta, das 9h às 17h; na sexta, das 9h às 16h.

Muito merecido

Esta coluna parabeniza o psiquiatra Antônio Peregrino, eleito para a Academia Pernambucana de Medicina, assumindo a cadeira de número 23, que foi do também psiquiatra Othon Bastos, “grande professor de várias gerações de psiquiatras que guardam ensinamentos técnicos do mestre”, como escreveu o próprio Peregrino em artigo de homenagem a Othon, publicado neste JC, em 19/8/16, dias após a morte do “baluarte da psiquiatria brasileira”, segundo define o seu sucessor, cuja posse será em fevereiro de 2019.

Clima e saúde

Mudanças de temperatura e chuvas podem ter grande impacto na transmissão de doenças transmitidas por vetores, como o Aedes. O Lancet Countdown acaba de fazer um alerta para o risco que sistemas de saúde correm se governos e sociedade não agirem para frear o aquecimento global. O documento mostra que a capacidade vetorial global para transmissão da dengue foi a mais alta registrada, desde a década de 1950, subindo em 9,1% para o Aedes aegypti. “Até pouco tempo, impactos na saúde eram pouco estudados nesse campo, mas tudo recai sobre a saúde”, diz a pesquisadora Sandra Hacon, da Escola Nacional da Saúde Pública Sérgio Arouca, que participou do estudo.

Meningite

Este ano, até 1º de dezembro, foram notificados 36 casos de doença meningocócica (infecção das membranas que recobrem o cérebro), com 23 confirmações em Pernambuco. Os números são maiores do que todo o acumulado de 2017, que teve 29 notificações, com 17 casos confirmados. A curva de mortalidade também cresceu este ano: o Estado já registrou quatro óbitos associados à doença. Em todo o ano de 2017, foram duas mortes. Os números reforçam a importância da imunização contra a meningite meningocócica, que certamente está entre as doenças imunopreveníveis mais temidas. Vale lembrar que a vacina meningocócica C é oferecida pela rede pública de saúde.