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Pessoas com deficiência encaram os obstáculos dos coletivos

Ao todo, 1,8 milhão de pessoas utilizam o sistema de transporte público diariamente. Desses, 35 mil são Pessoas com Deficiência (PCDs). E o tratamento que recebem do poder público, dos rodoviários e da população, segundo essa parcela de usuários, não é dos melhores. É extremamente comum os cadeirantes receberem a notícia de que a plataforma elevada está quebrada, por exemplo. Quando é verdade, Tiago Saúde, 39 anos, resolve. Ele anda com uma bolsa de ferramentas para consertá-la.

“Eu via que muitas vezes o motorista não sabia como consertar o equipamento, então partiu de mim essa atitude de levar na bolsa algumas ferramentas, que ajuda tanto o motorista quanto a mim. Às vezes, a gente tem mais experiência do que o próprio motorista porque é da nossa vivência encontrar problemas como esse.”

Para aqueles que não conseguem enxergar as condições do transporte, o problema é maior ainda. José Feitosa, 51, é deficiente visual. Para chegar ao TI Xambá na última semana, perdeu dois ônibus. O problema para acionar o ônibus não para por aí. Ele, que morava na região de Peixinhos, precisou se mudar com sua esposa, também deficiente, pela mudança no itinerário do ônibus que circulava próximo ao seu apartamento.

“A parada era perto da rua. Mas, depois que trocou, ficou no meio da avenida, trazendo muitos riscos para mim e para minha esposa, já que não há infraestrutura voltada para nós, ali. Resolvemos nos mudar”, relata. José também reclama da insensibilidade no transporte público, onde é quase invisibilizado. “Os motoristas deveriam se antenar e parar corretamente no meio-fio, e as pessoas que utilizam dos assentos reservados deveriam disponibilizar esse espaço.”

Não é preciso procurar muito para ouvir relatos de desrespeito no transporte público, como o de Ivete Santos Lima, 72, que já ficou presa na porta traseira do transporte por conta da impaciência de um motorista. “Eles nem esperam a gente subir direito no ônibus, e às vezes temos que correr atrás para não perder”, desabafa. Ivete descobriu durante a ação do Grande Recife que a plataforma de elevação vertical (PEV) é direito de todas as pessoas que possuem a mobilidade reduzida, incluindo idosos e pessoas obesas.

Na semana passada, o Grande Recife iniciou uma campanha de sensibilização dos operadores em relação aos problemas que as PCDs passam. A ação “E Se Fosse Você?” convidou motoristas e cobradores a embarcarem no ônibus utilizando muletas, cadeira de rodas, óculos embaçados ou protetores auriculares. Além da conscientização, agentes de empresas de ônibus estavam fiscalizando as PEVs e realizando a manutenção quando necessário.

A importância da campanha, segundo o gerente de relacionamento do Grande Recife Consórcio, Marcos Petrônio, se dá por meio da sensibilização dos operários e dos passageiros, “para que eles entendam a dificuldade que passa uma pessoa com deficiência ou idosa. Assim, a vivência através da ação em conjunto com os testemunhos mudam e multiplicam o comportamento, humanizando o transporte público e fazendo com que haja mais sensibilidade em relação ao próximo”.