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Destruindo os próprios criadouros

Já pensou na possibilidade de o próprio mosquito da dengue atacar e destruir seus criadouros? A partir de amanhã, essa realidade se torna possível na capital pernambucana, graças a uma nova técnica de controle do Aedes aegypti, que também transmite chicungunha e dengue. A tecnologia, desenvolvida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Amazônia e o Ministério da Saúde, consiste na instalação de aproximadamente 700 estações disseminadoras de larvicidas (EDs) em diversas áreas do Recife. Amanhã o bairro de Casa Amarela, na Zona Norte da cidade, será o primeiro a contar com a técnica.

Agentes de saúde ambiental que receberam treinamento para usar o método vão instalar as armadilhas. A estratégia consiste em atrair as fêmeas dos mosquitos até pequenos baldes com larvicida (funcionam como estações disseminadoras) que combate as larvas, mas não os mosquitos adultos. A ideia é usar o próprio mosquito contra a multiplicação da doença. “A fêmea, quando for depositar seus ovos, ficará impregnada de larvicida, um pó muito fino que fica no corpo do inseto. Quando ele for fazer nova oviposição, em outro possível criadouro, ela levará o larvicida”, explica o gerente de Vigilância Ambiental do Recife, Jurandir Almeida, sobre o efeito da técnica, que impede o desenvolvimento das larvas, mortas antes de atingirem a fase de mosquito adulto.

As estações disseminadoras (ou baldes plásticos, cobertos com panos infiltrados do larvicida, que precisam conter água para atrair as fêmeas dos mosquitos) serão instaladas em casas, escolas, unidades de saúde e outros estabelecimentos em bairros como Ipsep, Água Fria, Cajueiro, Campina do Barreto, Fundão, Ponto da Parada, Hipódromo, Encruzilhada, Linha de Tiro, Jordão, Ibura, Dois Unidos e Imbiribeira, entre outros. As áreas foram escolhidas a partir do cruzamento de dados como índice de infestação do Aedes e risco de adoecimento por dengue, chicungunha e zika. “Na Amazônia, os resultados mostram que houve uma baixa de 80% a 90% na infestação do mosquito”, acrescenta Jurandir Almeida.

O pesquisador da Fiocruz Amazônia Joaquín Cortés destaca que, entre as vantagens do uso dos próprios mosquitos na disseminação do produto, está a possibilidade de os insetos chegarem a criadouros (como calhas de talhados) que dificilmente são acessados pelos agentes ambientais. “O larvicida impede o desenvolvimento normal dos mosquitos imaturos, que morrem no estágio de larva ou pupa. O pyriproxyfen (larvicida utilizado pela tecnologia) não tem efeitos letais imediatos nos mosquitos adultos, mas encurta a vida das fêmeas e impede o desenvolvimento dos ovos fecundados”, diz Joaquín Cortés, coordenador técnico do projeto.

COMPLEMENTO

Para o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, ao adotar as estações disseminadoras de larvicidas para combater os mosquitos, a cidade ganha mais uma estratégia de combate às arboviroses. “É uma tecnologia que complementa outras que vêm sendo adotadas”, diz Jailson Correia, ao se referir a ovitrampas (três mil, em média) instaladas em cerca de 50 bairros da capital. As armadilhas permitem o monitoramento da população dos mosquitos e conseguem eliminar aproximadamente 280 mil ovos a cada 15 dias. Outras medidas usadas no Recife são as brigadas contra o Aedes, que treinam a sociedade civil para engajá-la na identificação e eliminação de focos, além do Centro de Mosquitos Estéreis (Cemer), cujo objetivo é frear a reprodução do mosquito, ao esterilizar os machos e liberá-los no meio ambiente.

Mais na web

Outros textos sobre o Aedes: www.casasaudavel.com.br.

‘Graças a estratégias adotadas, ao trabalho dos agentes e ao engajamento da população, o Recife está na contramão do País, com redução dos casos de arboviroses (queda de 10% das notificações, comparando este ano com o mesmo período de 2018). Mas não estamos livres do risco de novas epidemias”, frisa Jailson Correia