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Preços nem um pouco saudáveis

Especialistas ressaltam que barreiras econômicas também prejudicam as mudanças necessárias para uma dieta mais sustentável. Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFPRI), nos Estados Unidos, analisou os preços de 657 produtos alimentícios em 176 países. Os cientistas observaram que, nos países mais pobres, os alimentos saudáveis são extremamente caros, especialmente os de origem animal, ricos em nutrientes.

Ovos e leite fresco, por exemplo, chegam a custar 10 vezes mais do que produtos industrializados. “Antes desse estudo, sabíamos que as crianças mais pobres do mundo não estavam consumindo o suficiente de alimentos que promovem o crescimento saudável e o desenvolvimento do cérebro. Mas, agora, temos uma ideia melhor do porquê: os pobres também vivem em sistemas alimentares pobres. Essa combinação de baixa renda e preços altos significa que eles simplesmente não vão comprar e comer o suficiente desses alimentos ricos em nutrientes”, analisa Derek Headey, um dos autores do estudo, publicado, neste mês, na revista Journal of Nutrition e pesquisador do IFPRI.

A equipe de Sibel Eker acredita que os dados obtidos poderão ser usados como base para estratégias que impulsionem a dieta sustentável. “Concentrar-se nos fatores que influenciam os comportamentos destacados nesse estudo poderia ser útil no desenho de intervenções políticas ou de campanhas de comunicação em que atividades de construção comunitária ou mensagens de fortalecimento seriam empregadas, além de comunicar informações sobre riscos climáticos e de saúde relacionados ao consumo de carne”, detalha Eker.

Miryelle Pedrosa também acredita que os resultados do estudo podem ser usados em campanhas voltadas ao incentivo à alimentação mais sustentável. “Temos que saber o que aquele sujeito leva em consideração. Só assim podemos atingi-lo. Só dessa forma conseguimos criar estratégias que possam dar resultados sólidos”, defende.