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Um desastre ainda incerto

Um desastre que ainda é difícil de prever futuros impactos. Esse é o cenário do monitoramento das manchas de óleo que afetam o litoral do Nordeste. Em entrevista nessa segunda-feira (4), o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, disse que não é possível saber a quantidade de material derramado que poderá atingir a costa já que uma parte do produto pode estar submersa e longe dos radares. Até ontem, já haviam sido recolhidas mais de quatro mil toneladas de 321 praias de 125 municípios dos nove estados nordestinos. Os dados são do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“É uma situação inédita. Esse desastre nunca aconteceu no Brasil e até no mundo. Esse tipo de óleo não é perceptível pelo radar, pelo satélite. Não sabemos a quantidade (de óleo) derramado que está por vir”, afirmou o ministro. A declaração foi uma resposta sobre declaração do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de que o “pior está por vir”. Azevedo e Silva disse que o governo está “acompanhando a evolução” e avança na investigação sobre responsáveis pelo óleo.

Bolsonaro esteve no Ministério da Defesa ontem para receber informações sobre as investigações. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não participou da reunião, pois está no Parque Nacional de Abrolhos, na Bahia, área atingida pelo produto.

Azevedo e Silva disse que as ações avançam simultaneamente em três frentes: apuração sobre responsáveis pelo derramamento, identificação das manchas de óleo no mar e contenção de danos nas praias.

O governo federal anunciou nessa segunda o começo da segunda etapa da Operação “Amazônia Azul – Mar Limpo é Vida”, para conter o avanço do óleo sobre praias do Nordeste. As Forças Armadas devem realizar “ações humanitárias relacionadas ao meio ambiente, cooperação na recuperação de áreas marítimas atingidas e monitoramento das Águas Jurisdicionais do Brasil”, informou a Defesa. Quatro navios da Marinha do Brasil deixaram o Rio de Janeiro rumo ao Nordeste para cooperar na limpeza e monitoramento das manchas. As embarcações devem chegar à região no dia 10 de novembro, em Suape, na Região Metropolitana do Recife.

“Todos acidente ou incidente que é inédito leva a várias ideias e muitas possibilidades. Todas as possibilidades devem ser aventadas. Não sabemos ainda se existe muita coisa ou pouca coisa”, afirmou o comandante de Operações Navais da Marinha, Leonardo Puntel. Até o momento, a Polícia Federal aponta o navio Bouboulina, de bandeira grega, como principal “suspeito” pelo derramamento.

Integrantes do Grupo de Avaliação e Acompanhamento, criado pelo governo para dar resposta ao desastre avaliou que o caso exigirá de eventuais responsáveis identificados bilhões a título de reparação de danos. O presidente do Ibama, Eduardo Bim, um dos órgãos que integram o colegiado, disse que os valores serão certamente altos, pois envolvem prejuízos não só ao ambiente, mas ao turismo e à saúde pública, entre outros segmentos.

“Esse dano não está quantificado ainda. Vai ser um dano na casa dos bilhões, com certeza”, declarou Bim.

Além da indenização, cabe a aplicação de multas ambientais aos responsáveis. Por lei, as multas podem ser de até R$ 50 milhões cada uma.

O presidente do Ibama disse que o órgão ainda não tem estudos sobre a qualidade dos mariscos e dos peixes pescados na região para consumo. Segundo ele, essa informação depende de levantamentos do Ministério da Saúde e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O processo de responsabilização dependerá do avanço das investigações que estão sendo conduzidas pela Polícia Federal, em parceria com a Marinha e órgãos de proteção ao Meio Ambiente, e também de cooperações internacionais.

“É uma situação inédita. Esse desastre nunca aconteceu no Brasil e até no mundo. Esse tipo de óleo não é perceptível pelo radar, pelo satélite. Não sabemos a quantidade (de óleo) derramado que está por vir”, disse o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, sobre a quantidade de óleo que ainda pode chegar ao Nordeste.

“A empresa vai ser notificada agora. A gente fez os pedidos através de Interpol. Ela vai tomar conhecimento da investigação toda e vai ter oportunidade de apresentar estes documentos que ela alega ter”, afirmou o delegado Franco Perazzoni, chefe do serviço de geointeligência da Polícia Federal