Pesquisar
Agendar Atendimento

Serviços

ver todos

Tratamento da tireoide deve seguir

As matérias veiculadas pelo jornal citado como “fonte” não representam a opinião do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O clipping tem por objetivo atualizar os leitores das principais notícias referentes à saúde veiculadas no país e, principalmente, no estado de Pernambuco.

Endocrinologistas do Brasil e exterior participam, até amanhã, da Semana Internacional da Tireoide. O evento inclui programação de lives no Instagram e vídeos de conscientização nas redes sociais, além de encontros online para profissionais. A iniciativa é promovida pelo Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. A pandemia entrou na pauta, tendo em vista a necessidade de, mesmo durante a emergência sanitária, dar prosseguimento ao tratamento de problemas na glândula, que é responsável por produzir os hormônios T3 e T4, fundamentais para o metabolismo e o bom funcionamento do corpo humano.

O hipotireoidismo (baixa produção) e o hipertireoidismo (alta produção) não são fatores de risco diretos para a Covid-19, mas algumas questões precisam ser observadas com atenção pelos pacientes, segundo o endocrinologista Gustavo Caldas, que trabalha no ambulatório do Hospital Agamenon Magalhães, no Recife. O maior alerta é para diabéticos e obesos. “Na obesidade há muitos processos inflamatórios. E no diabetes, a glicose descontrolada pode servir de combustível para alimentar o vírus”, diz.

“Com a chegada da Covid-19, muitos começaram a questionar sobre os problemas na tireoide serem fatores de risco. Mas, de uma maneira geral, não há um aumento. Déficit ou excesso de hormônios tireoidianos não vão determinar se a pessoa irá contrair ou não a doença”, explica. Apenas casos agudos de hipertireoidismo, em que a pessoa desenvolve a oftalmopatia – “olhos pulados” – consistem em um fator de risco por causa do uso de corticoides, que baixam a imunidade.

Hoje, o tratamento do excesso de produção hormonal pode ser feito de três maneiras: medicação, cirurgia ou apli- cação de iodo radioativo. As cirurgias estão desaconselhadas neste período de pandemia. A necessidade deve ser discutida com o endocrinologista. O iodo radioativo também não é o melhor dos caminhos neste momento, já que é aplicado em ambiente hospitalar. Então, o uso de medicação antitireoidiana é o mais indicado. “Mais de 70% dos casos de hipertireoidismo são para controlar as taxas hormonais no sangue”, conta Gustavo. “Há dois remédios muito utilizados para esse controle: o propiltiouracil e o metimazol. Devido a esta pandemia, estamos com dificuldade em encontrar no mercado o propiltiouracil. Então, o paciente que usa ele pode tomar, por enquanto, o metimazol, nas doses que o endocrinologista prescrever, até que a produção volte ao normal”, aconselha.

No caso do hipotireoidismo, o alerta fica para que os pacientes não mudem a marca da medicação utilizada. “É uma dose diária de hormônios. Tanto que é contado por micrograma e não miligrama. E a mudança pode trazer uma variação de até 30% nas necessidades hormonais da pessoal”, explica. Caso a pessoa se infecte com o novo coronavírus e seja internada, deve avisar à equipe médica a marca e a dosagem que toma, para que o tratamento não seja interrompido.

A presença de um nódulo na tireoide chama a atenção, tendo em vista que em 20% desses casos são malignos (cancerígenos). “Para saber da presença, precisa de ultrassonografia e, depois, da punção desse nódulo. Mesmo sendo um tumor maligno, a cirurgia para esses casos pode aguardar dois ou três meses, porque são nódulos muito estáveis, diferentes de um câncer no fígado ou no estômago”, explica Gustavo. Mas a maior de todas as recomendações, para todos os casos, segue sendo a mesma aplicada à sociedade em geral: redobrar o isolamento social.

ENCONTROS A SBEM

Nacional, através do Departamento de Tireoide, irá realizar um evento online sobre o manejo da oftalmopatia em tempos de Covid-19, que acontecerá hoje. Os doutores João Roberto Maciel Martins (Unifesp) e Adriano Namo Cury (Santa Casa de São Paulo) participarão. Já as regionais da sociedade estão organizando aulas online para os médicos e informes nas redes sociais para a população.