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“Estamos vivendo duas pandemias”

As matérias veiculadas pelo jornal citado como “fonte” não representam a opinião do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O clipping tem por objetivo atualizar os leitores das principais notícias referentes à saúde veiculadas no país e, principalmente, no estado de Pernambuco.

Em entrevista ao JC, a cofundadora e vice-presidente do Instituto Maria da Penha (IMP) Regina Célia Barbosa falou sobre os desafios enfrentados por mulheres vítimas de violência doméstica em tempos de pandemia.

JC – Em tempos de pandemia, a recomendação das autoridades é de que as pessoas fiquem em casa. Como isso impacta a vida da mulher vítima de violência?

REGINA CÉLIA BARBOSA – Estamos vivendo duas pandemias simultaneamente: a do novo coronavírus e a mais persistente, a da violência contra a mulher. Quando a doença chegou, ela já encontrou uma realidade de políticas públicas fragilizadas no que diz respeito à emergência do atendimento a vítimas de violência. O coronavírus chega em março, exatamente no mês da mulher, no qual focamos muito em informações que motivam a denúncia. Com a pandemia, vem o distanciamento social e essa mulher vê o autor da violência questionar como ela vai fazer a denúncia, se não é permitido sair de casa e as delegacias estão fechadas. Embora não seja essa a realidade, alguns serviços tiveram atendimento reduzido ou alterado. Ou então, quando a mulher ligou para fazer a denúncia, ela ouviu que a recomendação era para ficar em casa. Os primeiros 30 dias dessa pandemia foram muito cruéis com essa mulher que estava sendo motivada a realizar a denúncia.

JC – Como o poder público pode atuar nesse sentido?

REGINA CÉLIA – Quem atua na rede de proteção sabe os pontos das cidades com focos presentes de violência contra a mulher. Temos um equipamento que hoje é imprescindível neste momento: a Patrulha Maria da Penha. Já que essa mulher está acuada, sem poder sair de casa e fazer a denúncia, as rondas poderiam ser mais eficientes nesse sentido. Não resolveria 100% do problema, mas seriam grandes aliadas.

JC – O Instituto Maria da Penha tem percebido o aumento da violência nestes últimos meses?

REGINA CÉLIA – Vimos o aumento dos índices de violência psicológica, que se assemelha ao crime de tortura. Outra violência que cresceu foi a sexual chamada marital, em que o homem, dentro da relação conjugal, obriga a mulher a manter relação com ele contra a vontade dela. Estamos sendo muito procurados pelo Instagram (@institutomariadapenha) e também por e-mail (institutomariadapenharecife@gmail.com). O atendimento jurídico tem sido muito elevado, mas existem aquelas mulheres que só querem desabafar e não formalizam denúncia, porque têm medo do agressor e estão sendo obrigadas a ficar em casa com ele neste período de pandemia. Estamos intervindo. As vítimas muitas vezes não esperam que o socorro chegue, mas ele está chegando.