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EDITORIAL: Um “retrato” da covid-19

O Recife já tem um “retrato do momento” mostrando o que a população diz sobre a pandemia do novo coronavírus. Ele tem como base percentuais característicos de uma dramática condição sanitária do nosso povo, percentuais correspondentes a mais da metade da população recifense que perdeu algum parente ou tem conhecimento de alguém que perdeu, sofreu ou sofre com a doença. Outros “retratos” certamente serão produzidos durante este período de indefinível duração e no período em que se acreditar ter chegado o final desta crônica gravíssima de onde será escrito um dos mais penosos capítulos da história do século 21, como foi para o século 20 a pandemia da gripe chamada espanhola. 

Assim como ficaram os números absolutos e percentuais para contar a história da epidemia global de um século atrás, da mesma forma estão sendo coletados pelo Instituto de Pesquisas do Centro Universitário Maurício de Nassau, Uninassau os dados que no futuro contarão a tragédia dos nossos dias. O comparativo é aleatório, não tem precisão científica, sobretudo por tratar de componentes tão distintos e tão distanciados, mas vale para instigar o imaginário coletivo dentro deste retrato do momento: os percentuais apurados pelo Instituto abrangem um universo de pesquisa que representa mais de seis vezes a população total do Recife no tempo da gripe espanhola, onde todos os números foram consolidados em níveis astronômicos, superiores às baixas da primeira guerra mundial. O que diferencia substancialmente a tensão do retrato atual e do passado é a qualidade do processo de revelação, agora submetido a critérios técnicos e científicos que explicam, sem muita margem de erro, que mais de 70% dos recifenses – mais de um milhão em números absolutos – temem, efetivamente, ser contaminados pela covid-19. 

Quando a esse levantamento do Instituto de Pesquisas da Uninassau divulgado em junho de 2020 for feita a adição de outras pesquisas em futuro próximo ou até no período dado como final da pandemia, aí então teremos um retrato panorâmico como nos deixaram os documentos de um século atrás, agora com muito mais precisão, assegurando as condições de uma narrativa histórica que não poderemos comparar com as baixas de uma guerra mundial nos moldes das do século passado, mas ficará claro que passamos, sim, por uma grande guerra contra um inimigo brutal que só alguns podem ver, através de equipamentos especiais, o que o torna tão letal e intimidatório quanto foi o vírus da espanhola que, apesar de tão distanciada e passando por tantos avanços científicos, nos diz que o covid-19 é um mal histórico que não se esgota quando passar a pandemia.