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Dois casos raros em crianças

As matérias veiculadas pelo jornal citado como “fonte” não representam a opinião do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O clipping tem por objetivo atualizar os leitores das principais notícias referentes à saúde veiculadas no país e, principalmente, no estado de Pernambuco.

Saúde registra primeiras síndromes inflamatórias multissistêmicas pediátricas em pacientes que positivaram para covid-19 Pernambuco registrou oficialmente seus dois primeiros casos da síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica em crianças que positivaram para covid-19. A condição é caracterizada por sintomas como febre persistente acompanhada de um conjunto de manifestações, como pressão baixa, conjuntivite, manchas no corpo, diarreia, dor abdominal (sinal marcante da síndrome), náuseas, vômitos e comprometimento respiratório, entre outros sinais.

No Estado, as notificações incluem uma criança de 5 anos, residente de Joaquim Nabuco (Zona da Mata Sul), atendida no Hospital Correia Picanço, localizado no bairro da Tamarineira, Zona Norte do Recife; e outra de 12 anos, moradora de Sirinhaém (também na Mata Sul), acompanhada pelo Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc, em Santo Amaro, área central do Recife). Ambas receberam atendimento nas unidades no início de julho, tiveram confirmação de covid-19 pelo exame de RT-PCR (aquele que detecta a infecção ativa), já tiveram alta médica e não apresentaram sequelas da síndrome. “Nossos serviços pediátricos precisam estar atentos a possíveis quadros que atendam a definição de caso da síndrome, com o objetivo de ofertar a assistência necessária para o paciente e realizar os esforços para sua confirmação”, afirmou o secretário Estadual de Saúde, André Longo, em coletiva de imprensa transmitida ontem pela internet.

Em Pernambuco, há outros relatos dessa condição, mas que ainda não foram notificados, pois somente na última semana é que o Ministério 07/08/2020 JC Premium da Saúde implantou a notificação desses casos nos sistemas de monitoramento. A pasta informa que mantém conversas com as secretarias de Saúde dos Estados e municípios para orientar o diagnóstico e atendimento de possíveis casos por profissionais de saúde através da identificação dos sinais e sintomas mais comuns. Por dados oficiais, até julho, segundo o ministério, quatro Estados registraram casos: 29 no Ceará, 22 no Rio de Janeiro, 18 no Pará e 2 no Piauí, além de três mortes no Rio de Janeiro.

A pneumopediatra Rita Moraes de Brito, professora da Universidade de Pernambuco (UPE), já atendeu quatro casos de crianças no Hospital da Restauração, no bairro do Derby, área central do Recife. “Não se trata de uma unidade referência para acompanhar quadros respiratórios, mas é um serviço que é referência em cirurgia abdominal. Como esses pacientes chegavam com um dor forte no abdome, que faz suspeitar de apendicite, os quadros chamaram a minha atenção no HR. Ao ver uma das crianças, percebi que não se tratava de apendicite, pois ela tinha outros sintomas sugestivos de covid-19”, relata Rita, que chegou a acompanhar os pacientes entre o fim de maio e junho no Estado – ou seja, antes de o ministério soar o alarme para a condição. “Depois que se chama a atenção para a situação, as pessoas passam a fazer o elo, até mesmo os colegas médicos, que começam a ligar para receber orientações sobre a síndrome”, acrescenta Rita.

RARA

No Brasil, a maioria dos casos relatados apresentou exames laboratoriais que indicaram infecção atual ou recente pelo novo coronavírus (por biologia molecular ou sorologia) ou vínculo epidemiológico com caso confirmado de covid-19. Embora esses casos descritos apontem para uma possível relação de nova característica da doença em crianças e adolescentes, o Ministério da Saúde diz que essas ocorrências foram raras até o momento, diante do grande número de casos com boa evolução da doença entre crianças e adolescentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia emitido um alerta mundial aos pediatras relatando a identificação de uma nova condição clínica, possivelmente associada à covid19, caracterizada pela síndrome inflamatória multissistêmica. No Brasil, no dia 20 de maio, o Ministério da Saúde, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), já havia emitido alerta chamando atenção da comunidade pediátrica para a identificação precoce da síndrome.

Países como Espanha, França, Itália, Canadá e Estados Unidos também identificaram casos  em crianças e adolescentes. No mundo, há relatos de mais de 300 casos. PESQUISA No dia 21 de maio, pesquisadores do Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará, elaboraram um protocolo com orientações de diagnóstico e atendimento para seguimento dos casos relacionados a essa síndrome rara no Brasil. Entre 15 de abril e 15 de junho, 155 crianças foram hospitalizadas com suspeita de covid-19 nos hospitais participantes da pesquisa pelo IEC. A infecção foi confirmada em 108 destes pacientes. Desse total, o diagnóstico de síndrome inflamatória multissistêmica foi confirmado em 18 crianças, de acordo com os critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde. Dos 18 casos diagnosticados pelo IEC para essa condição, 11 tiveram segmento no estudo (sete foram excluídos, pois apresentavam situação vacinal incompleta para a idade). 07/08/2020 JC Premium

Os 11 casos diagnosticados na pesquisa apresentaram idade entre 7 meses e 11 anos – a maioria do sexo masculino, com diagnóstico nutricional de sobrepeso/obesidade ou comorbidades associadas (respiratórias e neurológicas). O tempo entre a exposição ao vírus e manifestações clínicas da síndrome variou entre 6 e 60 dias. ‘Por ser um novo achado, precisam ser devidamente notificados para termos um perfil epidemiológico e implementarmos medidas necessárias”, diz André Longo ‘A maioria dos casos de covid-19 na pediatra não é grave. Algumas crianças podem ter quadro mais complicado. É uma condição de exceção”, frisa Rita Moraes de Brito