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Confiança na vacina

As matérias veiculadas pelo jornal citado como “fonte” não representam a opinião do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O clipping tem por objetivo atualizar os leitores das principais notícias referentes à saúde veiculadas no país e, principalmente, no estado de Pernambuco.

Com a confirmação da volta dos testes para a vacina em desenvolvimento pela Universidade de Oxford, e os acordos relativos a outras pesquisas que se encontram em fase adiantada, como as da China e da Rússia, devem ser intensificados os planos para a imunização em massa em todos os países. Especialmente naqueles em que os números continuam desafiadores, como o Brasil, onde já contamos mais de 130 mil óbitos e de 4,3 milhões de contaminados. Além das dificuldades operacionais e os custos inerentes à aquisição e distribuição das doses, a estratégia de cobertura imunizante terá que levar em consideração obstáculos de natureza cultural e conjuntural, que podem afetar a vacinação tanto na perspectiva global, quanto no âmbito local. São fatores que dizem respeito a questões religiosas e políticas, por exemplo, cuja interferência coloca em risco o controle da pandemia de Covid-19 no planeta. Pesquisa divulgada na última quinta-feira pela revista The Lancet mostra o tamanho do problema, a partir de um levantamento realizado em 149 países. O extremismo religioso, as fake news, a instabilidade política e até a formação de movimentos organizados antivacinação foram barreiras identificadas contra a imunização em larga escala. As vacinas são vistas não com esperança, mas com desconfiança. Na Indonésia, líderes muçulmanos proibiram a população de se vacinar contra sarampo, caxumba e rubéola. Entre o preconceito, o ceticismo e a desinformação, o novo coronavírus ganha espaço para permanecer circulando, na contramão dos esforços científicos na corrida pela vacina que interrompa a escalada da doença. Também há motivos de resistência provocados por ocorrências localizadas, como nas Filipinas, em que a vacina contra a dengue foi distribuída e, em seguida, o laboratório responsável pela produção, o Sanofi, avisou que poderia haver risco para indivíduos que não tivessem sido expostos à dengue. De acordo com a pesquisa, a credibilidade das vacinações varia entre os países, e não depende da religião dominante, ou da riqueza nacional. Por isso, é imprevisível a recepção de uma campanha de imunização contra a Covid-19 até mesmo em continentes desenvolvidos como a Europa. A França, apesar da tradição secular em prol do conhecimento, traz histórico recente de aversão a vacinas. Quadro similar de desconfiança existe no Japão, onde o governo retirou, em 2013, a recomendação de aplicação de vacina contra o HPV. É sintomático dessa condição paradoxal – a resistência contra vacinas no instante em que a humanidade precisa de uma vacina – o fato de que, no ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tenha emitido um comunicado alertando que os movimentos antivacina devem ser tratados como ameaça à saúde global. Outro elemento complicador é o aumento de fake news nas redes sociais em relação à Covid-19. O vírus da desinformação se espalha tão rápido quanto a doença, propagando mentiras deliberadas que podem atrapalhar a imunização. Entre o ceticismo, preconceito e a desinformação, o novo coronavírus ganha espaço para permanecer circulando.