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Alterações vão da insônia à ansiedade

As matérias veiculadas pelo jornal citado como “fonte” não representam a opinião do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O clipping tem por objetivo atualizar os leitores das principais notícias referentes à saúde veiculadas no país e, principalmente, no estado de Pernambuco.

Casos de insônia, pesadelos, desconforto físico e agitação são relatos frequentes das crianças durante a pandemia. Um estudo foi realizado na província chinesa de Shaanxi, na segunda semana de fevereiro deste ano, para avaliar os efeitos imediatos da pandemia do novo coronavírus no desenvolvimento psicológico. Na pesquisa, foram analisadas 320 crianças e adolescentes de ambos os sexos na faixa etária de 3 a 18 anos. Os resultados mostraram que os problemas emocionais e comportamentais mais prevalentes foram distração, irritabilidade, medo de fazer perguntas sobre a epidemia e apego aos familiares.

As crianças de 3 a 6 anos manifestaram mais o sintoma de apego aos pais e temer que membros da família fossem contaminados. As crianças mais velhas, por sua vez, apresentaram mais desatenção e dúvidas. Por não compreenderem a situação e perceberam as mudanças de rotina e no comportamento dos pais, as crianças menores apresentam reações que alteram o sono, apetite, choro excessivo, e comportamentos como morder e roer unhas.

De acordo com o documento “Repercussões da Pandemia de Covid-19 no Desenvolvimento Infantil”, elaborado pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), o estresse provocado pela pandemia pode trazer algumas consequências, como: dependência excessiva dos pais; desatenção; preocupação; alterações no sono; falta de apetite; agitação. Entre as maneiras para driblar esses desafios impostos pelo isolamento estão alguns hábitos que podem ser feitos em casa, junto com a família. Leitura, desenho, jogos, ajudar nas tarefas domésticas e no preparo dos alimentos.

“Sem compreender direito a situação, reagindo principalmente às mudanças que percebem no comportamento dos familiares e em sua rotina de vida, é natural que as crianças pequenas passem a dormir mal, não comer, chorar, morder, demonstrar apatia ou distanciamento: são formas de elas lidarem com a situação adversa. Porém, são formas ineficientes, que prejudicam seus processos de aprendizagem, desenvolvimento e convivência. As situações de incerteza e de perdas causadas pela Covid-19 podem provocar na criança sentimentos de raiva, medo da doença e ansiedade pela perda do vínculo com pessoas, seja por distanciamento, adoecimento ou morte “, observa o comitê científico do NCPI.

As consequências na saúde física e mental pode levar, inclusive, a uma regressão no desenvolvimento infantil. “Atendo muitas crianças que desenvolveram ansiedade, manias, taquicardia, irritabilidade uma série de sintomas devido ao isolamento. Alguns pacientes menores, por exemplo, já tinha feito o desfralde e voltaram a usar fraldas”, conta a psicóloga clínica e educadora parental, Juliana Alves.

Nas consultas, os médicos têm notado mudanças de comportamento com indicativo para ansiedade. “Esse comportamento influencia no desenvolvimento e pode repercutir com relação ao crescimento”, comenta a  professora de pediatria da Universidade de Pernambuco (UPE), Alexsandra Costa.