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Covid faz 1ª vítima no Samu

As matérias veiculadas pelo jornal citado como “fonte” não representam a opinião do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O clipping tem por objetivo atualizar os leitores das principais notícias referentes à saúde veiculadas no país e, principalmente, no estado de Pernambuco

A técnica de enfermagem Liliane Quitéria dos Santos, de 48 anos, é a primeira vítima fatal do novo coronavírus entre os socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) do Recife. Ela foi a óbito na manhã da última segunda-feira, no Hospital do Tricentenário, em Olinda. Ela lutava contra as sequelas deixadas pela covid-19 há cerca de nove meses. Em maio de 2020, momento em que a capital pernambucana vivenciada o pico da pandemia, Liliane apresentou os primeiros sintomas da doença, iniciada com um quadro de encefalite viral, a chamada infecção direta do cérebro causada pelo vírus. “Naquela ocasião, ela procurou o Hospital Correia Picanço (bairro da Tamarineira, Zona Norte do Recife). Logo em seguida, desenvolveu um AVC (acidente vascular cerebral) hemorrágico e foi para o Hospital da Restauração (área central da cidade), onde operou e drenou o hematoma. Depois foi para o Alfa (referência no tratamento da covid-19) e recentemente, já com PCR para coronavírus negativo há cerca de seis meses, foi encaminhada para o Tricentenário, onde a família teve a possibilidade de ficar mais próxima dela. Estamos todos em luto”, informa o médico Leonardo Gomes, coordenador-geral do Samu Metropolitano do Recife. Ele conta que Liliane estava há muito tempo no Samu e que era uma profissional que atuou durante os primeiros meses do combate à pandemia no Recife. “Foi ao lado dela que fiz o meu primeiro plantão no Samu. Era uma pessoa muito dedicada. O adoecimento e a morte dela mexeram muito com todos do Samu. Sabemos que estamos expostos (ao coronavírus), que podemos pegar a doença, mas ninguém havia tido um desfecho negativo e fatal, como ocorreu com Liliane, quase um ano depois do primeiro atendimento (de covid-19) feito na capital.” Durante o velório de Liliane, ontem, de acordo com Leonardo, muitas foram as lembranças sobre a socorrista. “O pastor também relatou como nós, profissionais do Samu, estamos doando as nossas vidas por todos.” Em seu perfil pessoal, no Instagram, Leonardo expressou os sentimentos pela perda da técnica de enfermagem para a covid-19. “Nós arriscamos nossas vidas para salvar a sua. Pensem nisso”, escreveu o coordenador- -geral do Samu Metropolitano do Recife.

Desde o início da pandemia na capital pernambucana, em março do ano passado, cerca de 500 trabalhadores do Samu foram infectados pelo novo coronavírus e precisaram se afastar do front durante o período de recuperação. “Hoje somos 718 profissionais. Amanhã (hoje) concluiremos a imunização contra covid-19 de toda a linha de frente do Samu Recife. Devemos atingir 600 pessoas vacinadas com a segunda dose. São socorristas, lavadores e condutores de ambulância, além de outros profissionais do front”, diz Leonardo. Os trabalhadores receberam a primeira dose do imunizante entre os dias 25 e 27 de janeiro. A segunda aplicação ocorre hoje na sede do serviço, que fica na Avenida Manoel Borba, 951, no bairro da Boa Vista, Centro da cidade.

BALANÇO Desde o início da pandemia, o Samu Metropolitano do Recife tornou-se a porta de entrada para assistência a pacientes com sintomas respiratórios, bem como o responsável pelo transporte entre as unidades que fazem o primeiro atendimento, como as emergências das policlínicas, Unidades de Pronto Atendimento (Upas) e os hospitais de campanha. A partir do socorro à primeira paciente com suspeita de covid, no dia 25 de fevereiro de 2020, até agora, o Samu registrou mais de 13 mil chamados por causas respiratórias, que geraram mais de 7 mil atendimentos a pessoas com sintomas suspeitos de covid-19. No último domingo, após uma série de dias com a covid-19 em alta, o Samu registrou a média móvel de 8,3 ambulâncias enviadas para ocorrências de casos suspeitos de síndrome respiratória aguda grave. Nesse dia, a central recebeu oito chamados, com acionamento de cinco ambulâncias para os atendimentos. Esse dado, que foi o menor registrado desde o início do ano, aponta uma redução importante, segundo a Prefeitura do Recife, em comparação com os números da semana anterior, quando a menor média semanal foi de 9,6, no último sábado. Em maio, durante o pico da pandemia na cidade, o Samu Metropolitano do Recife chegou a acionar as ambulâncias 80 vezes, em um único dia, para prestar socorro a pessoas com problemas respiratórios.