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Empresários divididos pela compra da vacina

As matérias veiculadas pelo jornal citado como “fonte” não representam a opinião do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O clipping tem por objetivo atualizar os leitores das principais notícias referentes à saúde veiculadas no país e, principalmente, no estado de Pernambuco

Os empresários pernambucanos estão divididos em relação a aprovação, nesta terça-feira (6), pela Câmara dos Deputados do texto base do Projeto de Lei 948/21, que permite à iniciativa privada comprar vacinas para a imunização de seus empregados. A reportagem do Jornal do Commercio procurou representantes dos setores da indústria e comércio e encontrou posicionamentos divergentes. O presidente do Movimento Pró Pernambuco, associação criada no ano passado que reúne 32 entidades representativas da Indústria, Comércio, Serviços, além de profissionais liberais, Avelar Loureiro Filho, revelou que entre os empresários do grupo o assunto não é unânime. “Sabemos de diversos setores empresariais que estão tentando viabilizar esse projeto e mesmo dentro do nosso movimento há os que são a favor e os que são contrários”. Avelar é um dos que são contrários ao tema e diz até que é uma atitude irreal e antiética. “A iniciativa privada será um concorrente a mais para a aquisição das vacinas pelo governo. As empresas poderiam ajudar oferecendo serviços como logística de distribuição e armazenamento”, diz o empresário. Para Avelar, vacinar funcionários das empresas privadas vai quebrar a lógica da vacinação determinada pelo Programa Nacional de Imunização (PNI). “Existe uma lista de prioridades cujo objetivo é vacinar primeiro os mais vulneráveis. Vacinar o funcionário de uma empresa que não está entre o público prioritário é tumultuar o processo”, acredita ele. Outra crítica que o presidente do MPP faz é sobre o custo dessa empreitada. “Não será uma coisa barata. Quanto vai custar para uma empresa cada dose da vacina? R$ 600, R$ 700? É algo inviável para as pequenas e médias empresas”, argumentou. Já o presidente da Federação do Comércio de Pernambuco, Bernardo Peixoto, vê o projeto de lei como algo positivo. “Será mais uma opção para se vacinar em massa, e o setor privado pode ajudar nisso, desde que não se tire a vacina do SUS”. O presidente da Fecomércio-PE revelou que a Confederação Nacional do Comércio (CNC), entidade máxima do setor, vai tentar negociar a compra de vacinas no mercado externo para as empresas do comércio e mais o Sesc e Senac. Bernardo Peixoto disse ainda que a entidade sugeriu um projeto de lei colocando o comerciário na lista do público prioritário. “O comércio é um setor essencial na economia, então seus funcionários devem se vacinar”, afirmou. Bernardo Peixoto vê como outro ponto positivo o fato de que as empresas precisam doar ao SUS a mesma quantidade de vacinas que irão destinar aos seus funcionários. “Por exemplo, uma empresa de grande porte, com 10 mil funcionários, que pretende vacinar todos eles, vai tirar 10 mil pessoas da fila do SUS e ainda ajudar outras 10 mil pessoas que vão usar a rede pública de Saúde”, observou. A Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) informou, através de nota, que se a aprovação para compra da vacina for aprovada (o texto seguiu para o Senado, e se aprovado, vai para a sanção presidencial), “essa negociação será realizada pela CNI”. “Eles já estão trabalhando com essa possibilidade”, diz a nota. Ao JC, a CNI reforçou que “só a imunização em massa recolocará o Brasil no caminho da retomada da economia”. A CNI defendeu ainda a rápida execução do PNI, “respeitando a ordem dos grupos prioritários”. A CNI informou ainda que o Serviço Social da Indústria (Sesi) colocou à disposição do poder público sua estrutura, presente em mais de 2,4 mil municípios brasileiros, para apoiar o PNI e o SUS na aplicação de vacinas em trabalhadores da indústria e na população, se for necessário. A CNI informou ainda, que, no momento, não participa de tratativas para aquisição de vacinas.